Espanha quer solucionar crise migratória com diálogo

Agência AFP

MADRI - O ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, declarou hoje que espera que a crise vivida com o Brasil pelas proibições de entrada nas fronteiras seja solucionada "por meio do diálogo e da informação".

- Confio que, através do diálogo e da informação, possamos solucionar este problema - declarou Rubalcaba à rede pública Radio Nacional da Espanha (RNE).

Autoridades de Espanha e Brasil realizarão um encontro no final de março para analisar o problema gerado pela crescente proibição da entrada de brasileiros no país europeu.

O Brasil manifestou seu descontentamento e nas últimas semanas tomou medidas similares com cerca de 20 cidadãos espanhóis. O ministro do Interior explicou que a Espanha mudou algumas normas por causa de sua experiência e do acordo Schengen sobre fronteiras da União Européia (UE).

- As novas normas entraram em vigor há alguns meses e, embora tenhamos nos esforçado para explicá-las, pode ter gente que não saiba - alegou o ministro.

- Há uma norma que temos que cumprir e estamos dispostos a informar exaustivamente todo aquele que quiser vir à Espanha, e para entrar é preciso cumprir determinadas normas - completou.

Os protestos do Brasil se somam aos de outros países latino-americanos como Chile e Uruguai, depois que a Espanha pôs em vigor várias normas européias de fronteiras.

Rubalcaba atribuiu o protesto das autoridades brasileiras ao fato de que nos últimos anos há mais cidadãos do Brasil que não podem entrar na Espanha. No entanto, ele negou um aumento substancial dos casos de brasileiros barrados.

Rubalcaba reconheceu que nos últimos meses "as atuações de alguns policiais podem ter sido excessivas", embora também tenha dito que "pode haver algum turista que de vez em quando diga coisas que não se deve dizer".

- De qualquer forma, não podemos permitir que alguém que diga que vem a turismo, venha com 50 euros - afirmou.

- Para as autoridades espanholas é muito doloroso ter que devolver alguém, mas é preciso fazê-lo porque se não, está dando às máfias um certificado de legalidade - explicou.