Em meio a crise financeira, NY dá posse a novo governador

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NOVA YORK - O novo governador de Nova York, David Paterson, tomou posse na segunda-feira e encontrou um orçamento estadual ruim, agravado pelas perturbações na economia norte-americana.

Ele substitui Eliot Spitzer, que renunciou na semana passada por causa da revelação de que era cliente de uma rede de prostituição.

Paterson, que até então era vice-governador, enfrenta um déficit de até 5 bilhões de dólares no orçamento do Estado, cuja arrecadação depende diretamente do desempenho do setor financeiro.

No domingo, o JPMorgan Chase ofereceu a ninharia de 2 dólares por ação do rival Bear Stearns, abatido pela crise financeira nos EUA, enquanto o Federal Reserve (Banco Central) ampliou o crédito a firmas de investimento pela primeira vez desde a Grande Depressão.

Em seu discurso, ele afirmou que a economia 'parece estar se encaminhando para uma crise' e prometeu 'ajustar o nosso orçamento de acordo com isso'. 'Precisamos combater o obstáculo da dúvida e da incerteza, e vamos superá-lo', acrescentou.

Paterson, de 53 anos, nascido no Brooklyn e habitante do Harlem, é o primeiro negro a governar Nova York. Legalmente, é tratado como cego -- tem visão limitada num olho e nula no outro.

O orçamento do Estado de Nova York é de 124 bilhões de dólares. No começo deste ano, Spitzer previra que o déficit subirá para 8,8 bilhões de dólares até o ano fiscal de 2012.

O novo governador tem até 1o de abril para apresentar uma proposta que leve à redução do déficit, seja por meio da contração de dívidas, do aumento da arrecadação tributária ou do corte de gastos públicos.

'A situação que todos estão testemunhando na economia nacional, em Wall Street e nos mercados financeiros pode ter um grande impacto sobre a arrecadação estadual daqui para frente', disse o tesoureiro do Estado, Thomas DiNapoli, à TV local NY1.

Em entrevista coletiva na semana passada, Paterson disse que os bancos de investimentos de Wall Street estão 'sob cerco' e o mercado de ações está instável e que estamos 'olhando para uma recessão'.