Brown promete investigação pública sobre erros no Iraque

Agência EFE

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, prometeu uma investigação pública sobre os erros cometidos no Iraque antes e depois da guerra, publicou hoje o jornal britânico The Independent.

Brown é favorável a uma investigação para que se aprenda "todas as lições possíveis", mas não acredita que este seja o momento de iniciá-la, já que a situação no país árabe ainda é "frágil", segundo uma carta que o diário inglês teve acesso.

"Chegará o momento em que será apropriado abrir uma investigação", afirma o chefe do Governo na carta citada, enviada à Sunder Katwala, secretário-geral do centro de estudos Fabian Society, filiado ao Partido Trabalhista.

"Apesar do avanço conseguido nas áreas de segurança, economia e política no Iraque, a situação continua sendo frágil e poderia retroceder", disse o líder trabalhista.

"Neste momento crítico é, portanto, vital que o governo não desvie sua atenção do apoio ao desenvolvimento do Iraque como país estável e seguro", diz Brown, ao justificar sua decisão de não abrir agora a investigação.

Ainda segundo o The Independent, a postura do primeiro-ministro constitui uma "significativa ruptura" com seu antecessor no cargo, Tony Blair, que se negou a apoiar uma nova investigação sobre os erros no Iraque.

Blair considerava que as quatro investigações que aconteceram sobre o conflito -cada uma centrada em diferentes aspectos- eram suficientes, apesar de seus críticos sustentarem que nenhuma delas estabeleceu uma conclusão geral sobre a preparação da invasão e o pós-guerra.

No fim de semana passado, milhares de pessoas protestaram em Londres e na cidade escocesa de Glasgow contra a ocupação do Iraque, que nesta quarta-feira vai completar cinco anos, e exigiram a retirada das tropas britânicas do Afeganistão.

O Reino Unido tem cerca de 4,1 mil soldados no Iraque, a maioria ao sul, na província de Basra, enquanto que no Afeganistão estão mais de 7 mil homens das tropas britânicas.