Esquerda vence eleições locais francesas em revés para Sarkozy

Agência EFE

PARIS - A oposição de esquerda liderada pelos socialistas obteve neste domingo uma ampla vitória no segundo turno das eleições locais francesas, nas quais tinha pedido um voto de punição ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, dez meses após sua chegada ao Palácio do Eliseu, e a seu Governo conservador.

A esquerda é 'majoritária em votos' e em 'número de cidades e departamentos', disse o líder do Partido Socialista (PS), François Hollande, que pediu a Sarkozy e a seu Executivo que 'retifiquem' sua política.

Já o primeiro-ministro francês, François Fillon, rejeitou que sejam tiradas 'lições nacionais' do pleito municipal e cantonal, e assegurou que as reformas continuarão.

Em breve discurso transmitido pela televisão, Fillon ressaltou que a participação foi 'muito baixa' - as pesquisas apontam uma abstenção recorde de cerca de 35% -, e disse que a batalha pelo emprego e pelo poder aquisitivo 'deve se acentuar'.

Outros dirigentes da conservadora e governista União por um Movimento Popular (UMP) reconheceram que foi uma 'derrota' para suas fileiras, sobre o que Fillon silenciou, e a atribuíram à combinação de 'impacientes e descontentes'.

Sarkozy, que não falou sobre os resultados eleitorais após ter ficado quase ausente da campanha, marcada por sua impopularidade, tinha tornado público, às vésperas do pleito, que manteria o rumo, mas que faria leves ajustes governamentais e, principalmente, mudaria seu estilo presidencial e sua comunicação.

Segundo as pesquisas, a esquerda teria recebido 49,5% dos votos, contra 47,5% da direita, ou seja, a mesma diferença de dois pontos (47%-45%) registrada no primeiro turno, realizado no dia 9.

Marselha, segunda maior cidade de país, continua nas mãos da direita, anunciou o prefeito conservador, Jean-Claude Gaudin, enquanto Toulouse, a quarta e bastião da direita há 37 anos, foi conquistada pelo candidato do PS.

Liderada pelos socialistas, a esquerda reconquistou muitas das 41 cidades com mais de 20 mil habitantes perdidas em 2001, entre elas Estrasburgo.

Além disso, arrebatou da direita Reims, Caen, Amiens, Metz e Périgueux, onde foi derrotado o ministro da Educação, Xavier Darcos, um dos oito membros do Governo que passaram ao segundo turno, e conservou Lille e Angers.

Faltando os dados definitivos, o socialista Bertrand Delanoë, que já tinha garantida sua reeleição à frente da Prefeitura de Paris, não conseguiu ampliar o número de distritos que controla junto aos Verdes.

Entre as poucas conquistas do dia para a UMP está Calais, após 37 anos de gestão comunista.

O líder do centrista Movimento Democrático (MoDem), François Bayrou, que pretende concorrer nas eleições presidenciais de 2012, perdeu sua aposta pela Prefeitura de Pau (sudoeste).

- Haverá outros combates e outras vitórias - disse Bayrou, que atribuiu sua derrota para a candidata socialista à recusa do aspirante da direita a se retirar depois da primeira rodada.

Bayrou tinha rejeitado alianças nacionais e quis que suas listas se aliassem com a esquerda e a direita, conforme cada caso, para o segundo turno, no qual o eleitorado centrista parece ter se inclinado mais pela primeira do que pela segunda.

Estas eleições municipais e cantonais acentuaram a bipolarização da vida política francesa, com 'o quase desaparecimento dos extremos e o enfraquecimento do Partido Comunista', indicou a ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie.

Com sua vitória, o PS domina agora o cenário local, departamental e regional da França, o que deve usar para 'reparar o que Governo destruiu há dez meses', disse a ex-candidata socialista ao Palácio do Eliseu Ségolène Royal.

Embora quisesse representar o PS como um todo hoje à noite, Royal não conseguiu evitar uma alusão indireta a suas ambições pessoais -a liderança do partido visando às eleições presidenciais de 2012', ao pedir que se transforme 'o voto de punição em um voto de futuro'.