China estabelece prazo para rendição de manifestantes tibetanos

REUTERS

PEQUIM - A China estabeleceu um prazo de 'rendição' após as manifestações em Lhasa, que causaram a morte de pelo menos dez pessoas, lançando neste sábado uma ameaça de punição depois do maior conflito no Tibet em mais duas décadas.

A resposta veio após ardentes protestos na sexta-feira, que rebateram as alegações oficiais de que a região estava imune a conflitos, enquanto Pequim se prepara para ser sede dos Jogos Olímpicos em agosto.

A agência de notícia Xinhua afirmou que dez 'civis inocentes' foram mortos a tiros ou queimados em fogueiras na sexta-feira, durante as manifestações de rua na afastada capital montanhosa. A agência informou que nenhum estrangeiro morreu e que, entre os mortos, estavam duas pessoas abatidas com armas de fogo.

Os departamentos de lei e ordem ofereceram trégua aos manifestantes que se renderem até a meia-noite de segunda-feira.

- Os criminosos que não se renderem até o prazo final serão severamente punidos de acordo com a lei - informou uma nota no site do governo tibetano (www.tibet.gov.cn).

O comunicado acrescentou que aqueles que se 'abrigarem ou esconderem' também receberão duro tratamento. O governo ofereceu recompensas e proteção a informantes.

A televisão chinesa mostrou imagens de manifestantes depredando lojas e tentando arrombar um banco, além de nuvens de fumaça sobre a cidade.

Uma fonte próxima ao governo auto-proclamado do Tibet em exílio sugeriu que o total de mortos anunciado pela China não era verdadeiro.

Ele disse que pelo menos cinco manifestantes tibetanos foram mortos a tiros pelas tropas.

Outros grupos que apóiam a independência do Tibet dizem que muito mais pessoas morreram, com o número podendo chegar a 32.

A tocha olímpica deve chegar a Lhasa em algumas semanas.

A China acusou seguidores do líder espiritual exilado do Tibet, Dalai Lama, de planejarem os conflitos, que arranharam a imagem internacional de harmonia do país antes dos Jogos de Pequim.

Após a confirmação das mortes em Lhasa, muitas críticas surgiram em blogs, e o ator de Hollywood Richard Gere, um budista e ativista das causas tibetanas, sugeriu um boicote à Olimpíada.

Multidões de tibetanos na cidade atacaram escritórios do governo, queimaram veículos e lojas e lançaram pedras na polícia na sexta-feira durante os sangrentos confrontos que deixaram muitos feridos.

Uma foto da Reuters mostrou um manifestante queimando a bandeira chinesa. Qiangba Puncog, o maior nome do governo no Tibet, disse que as autoridades de Pequim e tibetanas não dispararam um só tiro para conter a violência.

A nota do governo do Tibet disse que a queima de escolas, hospitais, lojas e casas era 'premeditada'.

Um anúncio na televisão tibetana pediu que os moradores denunciem as 'más intenções' de Dalai Lama, 'protejam a soberania nacional' e 'rejeitem monges e monjas ilegais'.

John Ackerly, da Campanha Internacional pelo Tibet, afirmou em um e-mail, por outro lado, temer que 'centenas de tibetanos tenham sido presos e que estejam sendo interrogados e torturados'.

Um porta-voz dos Jogos Olímpicos afirmou que os protestos não deverão atrapalhar a passagem da tocha pela região do Tibet.