Rice destaca 'inclusão social' promovida pelo Governo chileno

Agência EFE

SANTIAGO DO CHILE - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, destacou nesta sexta-feira, durante sua visita relâmpago ao Chile, que o Governo da presidente Michelle Bachelet deve buscar a 'inclusão' de todos os cidadãos e ser regido pelos mesmos valores dos Estados Unidos.

- O grande (destaque) do programa da presidente Michelle Bachelet (...) é que o Chile também se dedicou a estender os ganhos econômicos a pessoas de todo o espectro social - afirmou Rice numa declaração conjunta com o ministro das Relações Exteriores chileno, Alejandro Foxley.

A diplomata acrescentou que 'a inclusão e a justiça social são componentes muito importantes do que a presidente quer fazer pelo país'.

Rice disse ainda que 'a democracia é grande e só consegue ser bem-sucedida se todas as pessoas se sentem incluídas' nela, o que "requer esforço além das urnas, além da inclusão política', e que torna 'emocionante estar no Chile'.

- (Vocês) acolheram os mesmos valores e convicções que nós temos nos Estados Unidos. Essa mesma devoção à inclusão e à mobilidade social. E é muito significativo fazer parte disso - acrescentou.

A chefe da diplomacia americana chegou a Santiago vindo do Brasil. Sob um forte esquema de segurança, ela chegou acompanhada do secretário de Estado adjunto, Thomas Shannon.

Depois de desembarcar, Rice seguiu para a Chancelaria chilena, onde se reuniu com seu colega e um grupo de empresários.

No entanto, a chegada da diplomata foi precedida por uma manifestação organizada por grupos de esquerda em frente ao Palácio de La Moneda, durante a qual sete pessoas foram detidas.

O protesto reuniu cerca de 50 pessoas em volta do monumento a Salvador Allende instalado na Praça da Constituição.

Após a leitura de uma carta dirigida a Bachelet, os manifestantes, que carregavam cartazes com a frase 'Condoleezza Rice - Persona Non Grata', queimaram uma reprodução gigante da clássica cartola do 'Tio Sam', momento no qual a Polícia interveio e deteve sete pessoas.

Ercides Martínez, membro da Comissão Política do Partido Comunista, disse aos jornalistas que a presença de Rice 'é uma afronta à região'.

- Ela representa a política terrorista dos Estados Unidos', afirmou Martínez, para quem o recente conflito entre Colômbia e Equador é produto da influência americana.

- É o pretexto para instalar a guerra em nosso subcontinente - acrescentou o manifestante.

Na carta dirigida a Bachelet, as organizações que convocaram o protesto, agrupadas no Fórum Civil do Chile, ressaltaram que o repúdio à visita de Rice se fundamenta 'na insistência' do Governo de George W. Bush 'de sustentar uma política de agressão criminosa e submissão' para 'outros povos'.

Segundo alguns jornalistas que viajam com a secretária de Estado, Rice falou de assuntos de política internacional durante o vôo que a trouxe ao Chile.

A chefe da diplomacia americana teria minimizado a importância da proposta do presidente do Equador, Rafael Correa, de criar uma OEA "sem os EUA'.

Ela também teria dito que em sua próxima visita à Rússia tentará esclarecer os objetivos do seu escudo antimísseis.

Rice, que fez sua quarta visita ao Chile, deve retornar aos Estados Unidos ainda esta noite, após um jantar com Bachelet.