Relator brasileiro da ONU não recebeu visto para voltar a Mianmar

Agência EFE

GENEBRA - O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação dos direitos humanos em Mianmar (antiga Birmânia), o brasileiro Paulo Sergio Pinheiro, não recebeu o visto para entrar novamente no país.

O analista brasileiro havia anunciado, ao final da entrevista coletiva que ofereceu hoje para comentar seu relatório sobre o país asiático, que a junta militar de Mianmar aceitara finalmente seu pedido de visitar de novo o país.

No entanto, a notícia não se confirmou, de acordo com fontes do serviço de imprensa da ONU, que haviam avisado inicialmente a Pinheiro que seu passaporte estava pronto para ser retirado.

Após recuperar o passaporte, o relator se deu conta, com surpresa, que não haviam lhe concedido o visto.

Pinheiro se mostrou crítico ao Governo militar de Mianmar, afirmando que não há processo democrático em andamento naquele país.

"Caso acredite em elfos, nos gnomos ou no Papai Noel, então é possível acreditar no processo democrático em Mianmar, mas que não digam à comunidade internacional e ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH) que têm intenção de instaurar uma democracia', criticou Pinheiro em entrevista coletiva.

O relator brasileiro afirmou isto um dia após ter apresentado ao CDH seu relatório sobre a missão realizada no país asiático para investigar a repressão exercida pela junta militar que o governa.

Em seu relatório, Pinheiro denunciou que a repressão continua em Mianmar e que as autoridades de Yangun mantêm graves restrições às liberdades de movimento, expressão, associação e reunião, enquanto são registradas violações 'maciças e sistemáticas dos direitos humanos'.