EUA admitem que não havia vínculos entre Iraque de Saddam e Al Qaeda

Agência EFE

WASHINGTON - O Pentágono não encontrou vínculos diretos entre o regime iraquiano de Saddam Hussein e a rede terrorista Al Qaeda após revisar cerca de 600 mil documentos oficiais apreendidos durante a invasão americana há quase cinco anos.

Em um relatório do Comando de Forças Conjuntas, o Pentágono afirmou que não há prova alguma que evidencie uma conexão direta entre o antigo líder iraquiano e a rede Al Qaeda, indicam os documentos analisados e as entrevistas realizadas com ex-altos funcionários do ex-regime iraquiano.

A existência de armas de destruição em massa e de uma relação com a Al Qaeda por Hussein foram dois dos principais elementos apresentados pelo Governo americano para justificar a invasão do Iraque no dia 20 de março de 2003.

O relatório foi publicado de forma muito discreta. Outros estudos, como os da comissão investigadora dos atentados de 11 de Setembro de 2001 chegaram à mesma conclusão, mas o Pentágono alcançou muitas outras informações, informou hoje a imprensa americana.

O estudo desvinculou Hussein da Al Qaeda, mas revelou 'fortes evidências' que envolvem seu regime com o terrorismo 'regional e internacional' antes da 'Operação Liberdade Duradoura' dos EUA.

Segundo o relatório, os alvos predominantes do terrorismo de Estado do regime de Hussein foram cidadãos iraquianos, dentro e fora do país.

Em algumas oportunidades, os serviços de inteligência do Iraque tinham em sua mira os inimigos do regime, o que incluía pessoas ou entes estrangeiros através do 'patrocínio' de grupos terroristas não-governamentais.

O regime de Hussein cooperou freqüentemente diretamente, embora de maneira cautelosa, com grupos terroristas quando achava que podiam ajudar o Governo a alcançar seus objetivos de longo prazo, disse o relatório.

O regime documentou 'cuidadosamente' suas conexões com organizações 'de terror' palestinas em 'vários memorandos governamentais', declarou o Comando de Forças Conjuntas.

Um destes documentos dá conta do apoio financeiro iraquiano a famílias dos terroristas suicidas em Gaza e Cisjordânia.

Segundo o estudo do Pentágono, o 'patrocínio' do terrorismo pelo Estado iraquiano foi uma 'rotina' tão grande como ferramenta de poder que o Iraque desenvolveu processos burocráticos para tramitar os resultados e a 'contabilidade' de recrutamentos, treinamentos e recursos a terroristas.

Exemplos são, segundo o relatório, o desenvolvimento, a construção, a certidão e o treinamento para carros-bomba e coletes para terroristas suicidas em 1999 e 2000, concluiu o relatório.