Correa desafia EUA a enviar tropas para a fronteira da Colômbia

Agência EFE

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, desafiou hoje seu colega americano, George W. Bush, a enviar tropas para a fronteira com a Colômbia e, caso não concretize a idéia, que então não emita comentários sobre a situação.

- Autorizamos que entrem em nossa fronteira norte. Hoje tratam de ganhar com Governos que estão muito longe da realidade. Traga o senhor Bush seus soldados, que sejam eles a morrer na fronteira sul colombiana - disse Correa em uma declaração divulgada hoje pela Presidência.

Correa pediu o fim da 'dupla moral' e da 'hipocrisia'. Ele conclamou que as forças dos EUA e dos países que deliberadamente apóiam a 'calúnia', levem suas forças (para a fronteira com a Colômbia).

- Vamos ver se os cidadãos dos EUA vão aceitar tamanha barbaridade - finalizou Correa.

O chefe de Estado também desafiou na quinta-feira a Espanha a colocar tropas na fronteira sul da Colômbia, em um longo discurso a um grupo de estudantes, fazendo referência a um artigo intitulado

- As Farc encontram refúgio no Equador - publicado na quarta-feira passada pelo jornal espanhol 'El País'.

- Que venha a Espanha e ponha soldados na fronteira sul colombiana - disse Correa aos estudantes, que repudiavam a incursão colombiana em território equatoriano no último dia 1º de março.

Nesse ataque a um acampamento das Farc em território equatoriano morreram pelo menos 26 pessoas, entre elas um militar colombiano e o segundo no comando e porta-voz internacional das Farc, 'Raúl Reyes'.

A chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, anunciou também na quinta-feira que o Governo de Quito apresentará uma nota de protesto a Washington pelas declarações do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormack, nas quais aludiu a uma suposta atitude permissiva do Equador em relação às Farc.

- Vamos elaborar uma nota protestando por essas afirmações que não fazem nenhum sentido - disse María Isabel, que criticou a postura dos EUA depois da operação militar colombiana no Equador contra um acampamento das Farc.