Líderes da UE mantêm agenda de reformas diante de incertezas mundiais

Agência EFE

BRUXELAS - Os líderes da União Européia (UE) insistiram nesta quinta-feira em dizer que sua agenda de reformas econômicas continua válida mesmo diante da incerta conjuntura atual, marcada pelo risco de recessão nos Estados Unidos e pela alta do euro, do petróleo e de outras matérias-primas.

O primeiro dia da cúpula de chefes de Estado e de Governo dos 27 países da UE, que começou nesta quinta-feira em Bruxelas, foi dedicado a analisar a situação econômica, em um dia em que a cotação do euro bateu novo recorde em relação ao dólar (1,56), e o barril de petróleo Brent superou os US$ 107, enquanto o Texas ultrapassou os US$ 110.

De acordo com fontes da comunidade, porém, os integrantes da reunião não se focaram em avaliar a repercussão desses fatores na UE, limitando-se a ressaltar o objetivo de acelerar as reformas para elevar a competitividade da economia européia.

Segundo a minuta de conclusões da cúpula, cuja versão definitiva será aprovada amanhã, diante da incerteza atual, 'é fundamental evitar a complacência' e continuar com a agenda de reformas.

Em relação aos mercados financeiros e com o objetivo de prevenir crises futuras, os 27 países-membros devem dar sinal verde à estratégia de aumentar a transparência e melhorar os mecanismos de avaliação de riscos e a supervisão, já estipulada pelos responsáveis de Finanças no final do ano passado.

Pouco antes de participar da cúpula, o presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, reconheceu sua preocupação com a evolução das taxas de câmbio e afirmou que os ministros de Finanças da eurozona 'vigiam' cada vez mais a cotação da moeda única.

- Estamos seguindo a situação muito de perto - afirmou Juncker, salientando que a 'excessiva volatilidade' das taxas de câmbio prejudica o crescimento econômico.

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, procurou transmitir uma mensagem de tranqüilidade e insistiu em olhar o futuro com 'confiança e vigilância'.

Na primeira sessão de trabalho, os chefes de Estado e do Governo dos países-membros da UE também falaram sobre política energética, principalmente sobre os planos para impulsionar a abertura dos mercados de gás e de eletricidade, e sobre a estratégia colocada pela Comissão Européia de luta contra as mudanças climáticas.

Sobre a abertura dos mercados energéticos, várias delegações pediram para que se formule, o mais rápido possível, um compromisso que solucione a divisão dos 27 países em torno da separação patrimonial das redes de energia.

Oito países, liderados pela França e Alemanha, se opõem ao desmembramento forçoso dos gigantes energéticos proposto pela Comissão Européia, idéia apoiada, porém, pela maioria dos Estados-membros.

Quanto à luta contra o aquecimento global, a maioria dos países teme que as propostas provoquem a mudança de fábricas da Europa para locais com uma legislação ambiental menos estrita.

Alguns países são favoráveis a que Bruxelas defina, o mais rápido possível, os setores que poderiam ser mais afetados pelas medidas, embora outras delegações, como a Holanda, preferem que essa referência não seja incluída ainda.

Durão Barroso observou nesta quinta-feira que começar logo a definir as medidas e os setores 'seria um erro', já que faria pensar que a UE não acredita na possibilidade de conseguir um acordo global contra as mudanças climáticas.

No jantar que encerrará a primeira jornada da cúpula, os líderes também devem tratar da proposta franco-alemã de União Mediterrânea.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, deve expor a seus colegas os detalhes de sua proposta, que pretende suceder o chamado Processo de Barcelona como uma nova política de vizinhança comunitária.