Raúl Castro sofre pressão internacional por reformas

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HAVANA - O novo presidente de Cuba, Raúl Castro, sofreu na segunda-feira pressão internacional para libertar presos políticos e permitir a dissidência na ilha.

O general, de 76 anos, deve fazer algumas aberturas na política econômica, mas já anunciou que não vai abandonar o socialismo e continuará consultando seu irmão Fidel, que renunciou à presidência na semana passada, após mais de 49 anos no poder.

Os Estados Unidos e o Vaticano começaram a pressionar o novo dirigente, começando pela questão dos presos políticos.

- Não pedimos exatamente uma anistia - disse o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que faz visita a Cuba. - Libertar prisioneiros é um gesto positivo que ajuda na reconciliação e dá sinais de esperança - afirmou ele a jornalistas, elogiando a libertação de quatro presos políticos neste mês.

Bertone, que foi recebido pelo chanceler Felipe Pérez Roque e na terça-feira encontrará Raúl, também fez críticas ao embargo econômico norte-americano, em vigor há 46 anos, por agravar a pobreza dos cubanos.

O governo dos EUA, por sua vez, voltou a criticar a transferência de poder entre os irmãos Castro e a cobrar mudanças.

- Ainda temos um governo [em Cuba] que acredita que é adequado manter as pessoas como presas políticas, negar à população seus direitos políticos e humanos básicos, e continuar com um sistema de governo que é fundamentalmente uma ditadura - disse Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado.

Em 2007, Raúl Castro, que já governava interinamente desde julho de 2006, afirmou estar disposto a um diálogo com os EUA depois que terminar o mandato de George W. Bush. Mas no domingo, ao ser efetivado, ele criticou a superpotência vizinha por travar uma "verdadeira guerra" contra Cuba e sua economia.

- Muita gente esperava que ele oferecesse um ramo de oliveira aos Estados Unidos e à comunidade européia. Nada disso aconteceu ontem - disse Jaime Suchlicki, diretor de estudos cubanos e cubano-americanos da Universidade de Miami.

Raúl prometeu reformas limitadas para melhorar o poder de compra e o acesso a alimentos, as principais queixas da população nos debates estimulados por Raúl durante sua interinidade.

Mas analistas dizem que a burocracia partidária fará qualquer reforma demorar, e que Raúl deve ser cauteloso. Eles especulam que pequenos empreendedores, como mecânicos, pescadores e artesãos, poderiam receber benefícios, mas alertam que os cubanos podem ficar frustrados se as mudanças forem superficiais demais.

A sensação de que as reformas serão limitadas foi reforçada pelo fato de que a Assembléia Nacional elegeu no domingo vários veteranos da revolução para cargos importantes. - Isso representa uma perspectiva muito sombria para Cuba - disse Suchlicki, da Universidade de Miami.