Bolívia protesta por suposto apoio dos EUA à oposição

Carlos Alberto Quiroga, REUTERS

LA PAZ - As relações entre Bolívia e Estados Unidos voltaram a piorar, nesta segunda-feira, devido à suspeita de que a embaixada norte-americana em La Paz fornece ajuda a grupos oposicionistas locais. Há menos de duas semanas, veio à tona um suposto caso de espionagem.

O governo esquerdista de Evo Morales disse ter convocado o embaixador Philip Goldberg para prestar esclarecimentos nesta terça-feira, e acrescentou que apresentará na próxima semana em Washington provas do apoio financeiro dos EUA a atividades políticas ´antidemocráticas´ na Bolívia. A embaixada norte-americana não se manifestou, repetindo sua conduta em atritos anteriores com o governo de Morales.

Em pouco mais de dois anos de mandato, Morales fez cerca de dez denúncias de 'ingerência política' da embaixada dos EUA, mas agora pela primeira vez o governo promete provas. Morales qualificou no domingo, o embaixador Goldberg como 'líder da oposição' e afirmou que os EUA querem impedir a aprovação da nova Constituição por causa de um artigo que proíbe a instalação de bases estrangeiras no país.

O ministro da Presidência (Casa Civil), Juan Ramón Quintana, anunciou em entrevista coletiva, nesta segunda-feira, que ele mesmo levará a Washington as provas da ajuda ilegal à oposição.

- Tomamos a decisão de denunciar não só nacionalmente, mas também internacionalmente, as interferências, as ingerências da embaixada dos Estados Unidos na Bolívia por meio da Usaid (agência norte-americana de cooperação internacional) - afirmou.