Missa lembra os seis anos do seqüestro de Ingrid Betancourt

Agência EFE

BOGOTÁ - Uma missa lembrou neste sábado em Bogotá os seis anos do seqüestro da ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, em cerimônia na qual a família da política demonstrou ter 'mais esperança' na libertação da refém em pouco tempo.

A missa por Betancourt, celebrada na capela do Ginásio Moderno, na parte norte de Bogotá, foi assistida por cerca de 350 pessoas e celebrada pelo representante do Vaticano na Colômbia, Aldo Cavalli.

A mãe de Ingrid Betancourt, Yolanda Pulecio, 'escoltada' por um grupo de crianças do orfanato que administra, disse aos presentes que aquela era 'a missa da esperança' e que tinha fé em que seria 'a última' pela liberdade da refém, por acreditar que em breve sua filha estará em casa.

Astrid Betancourt, irmã da ex-candidata presidencial, explicou que sua mãe usou a expressão 'missa da esperança' porque 'assim assinalam' as gestões do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e da congressista opositora colombiana Piedad Córdoba.

A irmã de Betancourt referiu-se aos trabalhos de Chávez e da senadora Córdoba, suspensos pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, em 21 de novembro do ano passado, e à libertação de alguns reféns 'e às outras que estão por acontecer'.

Astrid ressaltou que as libertações unilaterais da guerrilha 'são um marco muito importante, pois representam uma mudança total de atitude das Farc'. 'Se elas estão mudando', disse, é porque 'se deram conta de que, com a mudança, a comunidade internacional vai olhá-las de uma forma diferente'.

Em sua homilia, Aldo Cavalli falou da 'tolerância' às distintas posturas humanas e do 'respeito e da compreensão' para com 'a dor de uma mãe' e dos parentes de pessoas seqüestradas.

Ao lado do altar, estava exposta a última foto de Betancourt, divulgada em dezembro passado, na qual a política aparece cabisbaixa, com os cabelos longos, muitos quilos mais magra e muito debilitada.

O prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, e os embaixadores na Colômbia da França, Jean Michel Marlaud, e da Argentina, Martín Balza, junto com a senadora Córdoba, também assistiram à missa.

O publicitário Juan Carlos Lecompte, marido de Betancourt, como em outras ocasiões, levou para a missa o mesmo retrato que a política usava em campanha. Ele participou da celebração junto com membros do comitê local de apoio à refém.

Momentos antes, em declarações a rádio 'Caracol', Lecompte admitiu que após seis anos de seqüestro e de espera angustiante, qualquer pessoa se desespera. Porém, ressaltou que as Farc 'não conseguiram dobrar' sua esposa.

- Por dentro, ela está intacta. Eles não conseguiram dobrá-la e, além disso, mentalmente, ela está perfeitamente bem - afirmou Lecompte.

Betancourt foi seqüestrada junto com Clara Rojas, sua companheira de chapa - libertada em 10 de janeiro deste ano - , numa estrada do departamento de Caquetá, em 23 de fevereiro de 2002.

A ex-candidata presidencial é uma dos cerca de 45 reféns que as Farc querem trocar por 500 guerrilheiros presos.