Agência EFE
WASHINGTON - O Governo sérvio falhou na hora de proteger a embaixada dos Estados Unidos e outras embaixadas ocidentais do ataque de grupos nacionalistas, indicou nesta sexta-feira a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
- Eles tinham a obrigação de proteger o corpo diplomáticas e por isso sabemos que a presença policial foi inadequada ou indiferente. Deixamos muito claro ao Governo sérvio que não esperamos que algo assim volte a ocorrer - disse Rice em declarações aos jornalistas.
O Governo sérvio organizou ontem uma protesto em Belgrado contra a independência de Kosovo, à margem da qual vários grupos de jovens descontrolados atearam fogo à embaixada dos EUA e atacaram outras representações diplomáticas de países que reconheceram a independência do Kosovo.
Rice ressaltou que é hora de os sérvios aceitarem que o Kosovo já não é seu e sugeriu que chegou o momento de deixar para trás séculos de queixas e sentimentalismos nos Bálcãs.
- Achamos que a resolução sobre o status dos Bálcãs permitirá finalmente que essa região deixe para trás sua terrível história. Estamos falando de algo que ocorreu há séculos, é hora de avançar - manifestou Rice.
Por sua parte, o subsecretário americano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, declarou hoje que "não há desculpa" para os ataques "não civilizados" perpetrados em Belgrado contra as embaixadas dos Estados Unidos e de outros países europeus, que provocaram um morto e dezenas de feridos.
Burns afirmou que os EUA estão orgulhosos de seu apoio ao novo estado independente do Kosovo e expressou sua convicção que mais países farão o mesmo no futuro.
- Acho que a justiça foi feita. Kosovo merece ser independente. A Sérvia perdeu todos os direitos sobre o Kosovo após seus assaltos brutais e injustificados contra a comunidade albanesa em 1998-1999 - afirmou o alto representa americano.
Burns qualificou de "muito irresponsável" e "cínica" uma declaração do embaixador russo na Otan, Dmitry Rogozin, que segundo a agência "Interfax", disse hoje que se a União Européia e a Otan mantiverem seu mandato no Kosovo, "fará necessário o uso da força".
Burns foi um dos promotores das negociações internacionais sobre a definição do status do Kosovo que duraram dois anos sem conseguir um acordo entre Belgrado e Pristina.
Como resultado, Kosovo declarou sua independência da Sérvia, de forma unilateral, em 17 de fevereiro.
A maioria dos países da União Européia, além dos Estados Unidos, reconheceram o Kosovo como novo Estado independente.
Além da Sérvia e da Rússia, também não reconheceram ainda a Espanha, a Romênia, o Chipre, a Grécia e a Eslováquia reconhecem a soberania do Kosovo.