Parlamento do Timor-Leste prorroga estado de exceção por 30 dias

Agência EFE

SIDNEY - O Parlamento do Timor-Leste prorrogou nesta sexta-feira por 30 dias o estado de exceção declarado em 11 de fevereiro, depois que militares rebeldes tentaram assassinar o presidente do país, José Ramos Horta, e seu primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

A pedido do presidente interino, Fernando Lasama de Araújo, o Legislativo aprovou a medida, que entrará em vigor amanhã.

A medida é adotada no mesmo dia em que mil policiais e soldados retomaram as tarefas de busca dos cerca de 30 militares fugitivos que participaram dos atentados.

O chefe das Forças Armadas timorenses, general Taur Matan Ruak, disse à imprensa australiana que Gusmão ordenou a criação de uma força conjunta para as buscas, com a participação também da Polícia da ONU (UNPol) e da força internacional de segurança, contingente formado por tropas da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal.

Ramos Horta, de 58 anos e que está se recuperando em uma clínica no norte da Austrália após ter levado três tiros, expressou sua preocupação com a instabilidade em seu país, pediu paz e afirmou que não guarda rancor de ninguém.

Era a primeira vez que o líder timorense conseguiu trocar palavras com sua família desde que sofreu o atentado, porque os médicos tinham colocado o presidente em coma induzido.

O comandante rebelde Alfredo Reinado planejou e dirigiu os atentados que causariam sua morte, a de um de seus homens e a de um guarda de segurança do presidente.

Gusmão saiu ileso do ataque a tiros contra seu carro em Díli quando ia para o trabalho.

Reinado fez parte dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército em 2006, porque se negaram a renunciar a suas exigências de melhoras trabalhistas, e a suas denúncias de corrupção e nepotismo no corpo militar.

Diante da reação das autoridades, Reinado levou seus protestos às ruas e gerou uma espiral de violência que causou 37 mortes e deixou mais de 100.000 pessoas deslocadas.