Hillary e Obama discutem Cuba e reforma migratória em novo debate

Agência EFE

WASHINGTON - Os pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Barack Obama, se enfrentaram nesta sexta-feira em um debate organizado pela rede de televisão "CNN', no qual ressaltaram a necessidade de democratização de Cuba, e defenderam a proposta de uma reforma migratória integral no país.

O encontro dos pré-candidatos democratas ocorreu na Universidade de Austin, no Texas, estado que realizará sua prévia no próximo dia 4, junto com Ohio, Rhode Island e Vermont.

A primeira pergunta no debate foi sobre a posição que os pré-candidatos assumirão frente a Cuba, após a renúncia do presidente Fidel Castro.

Por sua parte, Hillary assinalou que não se reuniria com Raúl Castro, o provável sucessor de seu irmão Fidel, caso antes não fossem aplicadas reformas democráticas em Cuba.

- Não se deveria discutir uma visita presidencial sem provas que demonstrem progressos, em benefício dos EUA e do povo cubano - assinalou.

A senadora por Nova York mencionou a necessidade do aumento de liberdades políticas e de imprensa na ilha, e a abertura da economia cubana.

Por outro lado, Obama indicou que seria favorável a um encontro sem condições prévias.

- Embora a senadora Hillary tenha razão quando diz que deve haver uma preparação prévia, também é importante que haja uma agenda, e que nessa agenda estejam os direitos humanos e a libertação de presos políticos - assinalou o senador por Illinois.

- Para os Estados Unidos, não é importante falar somente com seus amigos, mas também com seus inimigos - acrescentou.

Sobre o problema representado pelos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais no país, Hillary e Obama ressaltaram a urgência de uma reforma migratória integral.

Segundo a senadora, essa reforma deve se ater à segurança fronteiriça e à adoção de medidas contra os empregadores que contratam trabalhadores ilegais.

- Mas essa reforma deve também incluir uma via de legalização para esses imigrantes, caso cumpram certas condições - indicou.

Os temas de Cuba e da imigração são cruciais para os estados de Texas e Ohio, que possuem uma ativa população hispânica que poderia inclinar a balança a favor de um ou de outro aspirante democrata à Casa Branca.

No que se refere ao tema da economia, ambos os pré-candidatos falaram sobre as medidas que tomarão caso cheguem à Casa Branca em janeiro de 2009.

Hillary indicou que um dos pontos prioritários será resolver a crise imobiliária criada pelos empréstimos de alto risco que sacudiram a economia do país.

- Temos que pôr fim às práticas das empresas financeiras, e aplicar uma moratória na execução de empréstimos que significaram para muitos americanos a perda de seus imóveis - disse.

A senadora também reiterou que os futuros acordos comerciais com outros países deverão conter salvaguardas trabalhistas e ambientais.

- Vamos ver o que funciona e o que não funciona - assinalou, ao indicar sua intenção de aplicar uma suspensão transitória na assinatura desses acordos.

Obama, por sua vez, indicou que seu objetivo é estabelecer "justiça e equilíbrio' na economia dos Estados Unidos.

- Temos que deixar de dar isenções de impostos a empresas que transferem suas fontes trabalhistas ao exterior, e passar a concedê-las a empresas que invistam nos Estados Unidos - disse.

O clima ameno do debate só foi quebrado quando Hillary acusou Obama de ter cometido plágio em alguns de seus discursos.

Obama minimizou as acusações, e pediu à candidata que não entre em confronto com ele.

- Devemos levantar o país - afirmou.