Morre Baba Amte, o último dos grandes reformistas indianos

Agência EFE

NOVA DÉLHI - A Índia chora a morte do último 'grande reformista social' indiano, Murlidhar Devidas Amte (conhecido como Baba Amte), que faleceu neste sábado, aos 94 anos, vítima de câncer, no centro no qual cuidava de doentes de lepra, informou sua família.

Amte morreu em Maharashtra, no oeste do país, onde realizava seu trabalho social há décadas, disse seu filho mais velho, Vikas Amte, que informou que o enterro acontecerá no domingo.

Com o lema 'a caridade destrói, o trabalho constrói', Amte era considerado um santo na Índia, e os milhares de leprosos que ele acolheu durante sua vida o consideravam um deus.

O trabalhador social chegou a injetar bacilos de um paciente de lepra em seu próprio corpo para permitir estudos sobre a doença, o que justifica o título de 'Passos sem medo' outorgado pelo próprio Mahatma Gandhi.

Nascido no dia 26 de dezembro de 1914, em Maharashtra, Amte estudou advocacia e lutou pela independência do Império Britânico, com a influência de Gandhi e outros indianos como Vinoba Bhave e Rabindranath Tagore.

A vida de Amte é considerada uma odisséia para vencer o temor e expandir as noções da justiça e a paz, como é demonstrado por seu mais importante legado, a casa de leprosos de Anandwan, onde morreu.

Tanto a presidente da Índia, Pratibha Patil, como o primeiro-ministro, Manmohan Singh, emitiram notas de condolência qualificando Baba Amte como 'um guia' para os que trabalham pelo bem da sociedade.

- A longa luta de Baba Amte para unir o povo em todo o país e para eliminar qualquer forma de discriminação o transformam em um santo de nosso tempo - disse Singh em comunicado.

Com a morte de Amte, a Índia perdeu o último dos grandes reformistas sociais da época da independência indiana, obtida em 1947.