Comunistas ameaçam bloquear eleições na República Tcheca

Agência EFE

PRAGA - O primeiro turno das eleições presidenciais tchecas, iniciado na sexta-feira, foi retomado neste sábado no Parlamento com a perspectiva de um segundo turno, diante do possível bloqueio do Partido Comunista da Boêmia e Morávia (KSCM).

O líder dos comunistas no Parlamento, Jiri Dolejs, disse neste sábado à emissora 'CT1' que seus legisladores não escolherão na terceira votação em nenhum dos candidatos que concorrem à Chefia do Estado.

Os candidatos são o atual presidente, Vaclav Klaus, que tenta a reeleição para um mandato de cinco anos, e o economista tcheco-americano Jan Svejnar.

Se os parlamentares comunistas não manifestarem seu apoio a nenhum deles, será necessário convocar um segundo turno das eleições.

A eleição presidencial, que acontece a cada cinco anos, é realizada em sessão conjunta entre os 200 deputados e 81 senadores que compõem o Legislativo tcheco.

O complexo sistema de escolha do chefe de Estado prevê no máximo três turnos eleitorais, e cada um pode ter até três votações.

Os requisitos para que um candidato vença são iguais nos três turnos, mas variam nas votações de cada um deles: na primeira, é necessário obter maioria absoluta dos votos em cada uma das Casas Legislativas (101 na Câmara e 41 no Senado).

Na segunda votação, é preciso alcançar a maioria simples na Câmara e no Senado, e, na terceira, o candidato precisa ser nomeado com a maioria simples na contagem geral das duas casas.

Observadores afirmam que os comunistas estão tentando bloquear a votação de hoje para que, no segundo turno, provavelmente dentro de 15 dias, novos candidatos - mais afins à ideologia do partido - se apresentem à corrida presidencial.

Na primeira votação, realizada ontem, Klaus obteve o apoio de 92 assentos da Câmara e 47 no Senado, enquanto Svejnar conseguiu 106 e 32, respectivamente.

Uma segunda votação também nesta sexta-feira deixou o atual chefe de Estado com 94 cadeiras na Câmara e 48 no Senado, enquanto seu adversário conseguiu os votos de 104 deputados e de 31 senadores.

As votações de ontem aconteceram depois de 11 horas de discursos no plenário, das quais quatro foram destinadas a esclarecer o tipo de escolha dos candidatos, se com a mão levantada ou secreta. Foi escolhida a primeira alternativa.

A imprensa tcheca afirma neste sábado, depois dos resultados da sessão de ontem, que Klaus está mais perto da vitória, e que o processo eleitoral de sexta-feira foi 'escandaloso', devido às contínuas obstruções.