Tribunal decreta prisão para ex-empregado do Société Générale

Agência EFE

PARIS - O Tribunal de Apelação de Paris decretou hoje prisão preventiva para Jérôme Kerviel, o ex-operador de mercados do Société Générale a quem o banco culpa por perdas de quase 4,9 bilhões de euros.

Kerviel estava em liberdade sob controle judicial desde 28 de janeiro, quando foi processado por abuso de confiança, falsificação e intromissão em sistema de tratamento de dados de informática.

O Ministério Público havia solicitado desde o início a detenção preventiva do jovem operador da bolsa, e recorreu da decisão dos juízes de instrução que apontaram que o controle judicial era suficiente.

A Procuradoria afirmava que havia 'riscos de reunião com eventuais cúmplices', e que era necessário evitar o desaparecimento de provas enquanto se esclarecia 'o mecanismo completo da fraude', e se o operador do Société Générale não obteve 'lucros financeiros e pessoais'.

O advogado do Société Générale Jean Veil declarou hoje que o Tribunal de Apelação não podia deixar de ser sensível ao recurso formulado pela Promotoria, 'perante a discrepância entre as declarações de Kerviel e a verdade'.

A instrução do caso havia se desenvolvido de forma significativa nas últimas semanas, com a detenção de outro operador de mercados de uma filial do banco, Fimat, que foi interrogado hoje para esclarecer sua possível cumplicidade com Kerviel.

Os investigadores realizaram ontem uma operação na sede da Fimat, que se fundiu com a filial equivalente da Calyon apenas dois dias antes do escândalo do Société Générale se tornar público, em janeiro

O 'Le Monde' havia ligado esta nova linha de investigação com a apresentação pelo banco de novos elementos, em particular uma mensagem recebida por Kerviel no serviço de comunicação interno da empresa, do operador da Fimat, em 30 de novembro, na qual lhe dizia: "você não fez nada de ilegal com base na lei'.

Um dos pontos investigados é o de como um único operador poderia, sem nenhuma cumplicidade -que foi, desde o início, a hipótese defendida pela direção do Société Générale-, organizar um esquema de tal magnitude sem alertar os alarmes de controle interno.

Os investigadores seguem impressionados com o fato de que a movimentação de um volume astronômico de fundos do Société Générale não tenha levantado suspeitas.

Em paralelo a essas e outras incertezas, o Société Générale deve lançar nos próximos dias uma ampliação de capital de 5,5 bilhões de euros, com a qual pretende restabelecer sua situação financeira.

A operação é destinada, em parte, a acalmar os rumores que correram no mercado nos últimos dias sobre uma possível tomada de controle do banco por algum dos gigantes europeus do setor, dentre os quais HSBC, Barclays, BNP Paribas e Crédit Agricole, entre outros.