Bolívia planeja esvaziar cidade amazônica ameaçada por enchentes

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LA PAZ - O governo da Bolívia anunciou nesta sexta-feira que planeja a retirada da população da cidade amazônica de Trinidad, ameaçada por uma enchente sem precedentes causada pelo fenômeno climático La Niña, que já deixou ao menos 50 mortos no país.

O transbordamento do rio Mamoré e outros nas planícies do Departamento de Beni ameaça romper o dique de contenção que protege Trinidad, a capital desse distrito, de 95.000 habitantes e localizado a 600 quilômetros ao noroeste de La Paz, afirmaram autoridades, segundo a imprensa local.

O anúncio sobre o plano de desocupação da cidade foi feito enquanto funcionários da Defesa Civil informavam que o número de famílias afetadas pelas chuvas supera 42.000 desde que a Bolívia se declarou sob efeitos do fenômeno La Niña, em novembro do ano passado.

O ministro-chefe da Casa Civil, Juan Ramón Quintana, que lidera uma comissão de seis ministros que trabalham em Trinidad, disse à emissora de rádio Erbol que o governo vai montar imediatamente um 'acampamento gigantesco' a 30 quilômetros ao leste de Trinidad, para receber os desabrigados.

- O plano foi decidido diante do perigo da enchente superar o anel de proteção. O que se acreditava ser uma possibilidade remota e é hoje uma possibilidade próxima - declarou Quintana, importante articulador político do presidente Evo Morales.

Um correspondente da rádio Erbol disse que o aumento do nível da água é 'incessante' e chegou já a meio metro do limite do dique, o máximo alcançado durante uma inundação similar no ano passado, que foi a mais grave em uma década.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na sexta-feira por jornais locais, afirmou que 'há grande probabilidade de as coisas piorarem porque o pico das chuvas chegará em umas semanas'.

Os ministros não especificaram se o acampamento, a ser levantado por militares com ajuda internacional, teria capacidade para acolher todos os habitantes de Trinidad.

Beni, o Departamento amazônico de Santa Cruz e o de Cochabamba são os mais afetados por La Niña, fenômeno atribuído a uma alteração da temperatura do oceano Pacífico.

Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Cuba e Estados Unidos, além da ONU, enviaram ajuda para socorrer os afetados pelas enchentes.