Olmert diz que questão de Jerusalém só será discutida mais tarde

REUTERS

JERUSALÉM - O premiê israelense, Ehud Olmert, que precisa sustentar sua frágil coalizão, indicou nesta segunda-feira que a controversa questão da situação de Jerusalém não será tratada logo no início das negociações de paz com os palestinos, mediadas pelos Estados Unidos.

As negociações com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, foram inauguradas em novembro, e desde então as equipes dos dois lados já se encontraram duas vezes. O premiê israelense pode sofrer novas pressões domésticas esta semana, quando será divulgado um relatório final sobre a guerra de 2006 contra o Hezbollah.

Um porta-voz do partido de Olmert, o Kadima, afirmou que o premiê disse que os negociadores iam começar por questões menos sensíveis que o destino de Jerusalém reivindicada tanto por palestinos como por israelenses.

- A questão de Jerusalém é muito sensível e é preferível começar com questões que têm chance de obter acordo, em vez de começar com questões em que as chances de discordância são grandes - afirmou Shmuel Dahan, citando Olmert.

Israel e os palestinos prometeram tocar nas "questões centrais" de um possível acordo de paz, como as fronteiras, o destino dos refugiados palestinos e o futuro de Jerusalém. O objetivo é chegar a um acordo enquanto George W. Bush ainda for presidente dos EUA seu mandato termina no início de 2009.

Há quem diga que o cronograma é ambicioso demais, principalmente porque parceiros de coalizão de Olmert são contra ceder terras para os palestinos, e considerando a hostilidade entre o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e Abbas.

Abbas quer que Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade, capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, seja a capital do Estado palestino.

Mas um partido direitista já deixou a coalizão de Olmert este mês por causa das negociações de paz e outro já disse que vai sair do governo se o assunto Jerusalém for posto sobre a mesa.

A divulgação do relatório da Comissão Winograd sobre as falhas israelenses na guerra de 2006 está marcada para quarta-feira, e pode precipitar a pressão pela renúncia de Olmert.