Herdeiro político de Putin recusa-se a participar de debates públicos

Agência EFE

MOSCOU - O vice-primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, candidato do Governo para as eleições presidenciais russas de 2 de março, não participará de debates públicos, informaram nesta segunda seus assessores.

Um representante do 'quartel-general eleitoral' de Medvedev disse à agência de notícias 'Interfax' que o herdeiro político do atual presidente russo, Vladimir Putin, anunciou por escrito sua recusa em participar dos debates à Comissão Eleitoral Central da Rússia (CEC).

Medvedev monopoliza os noticiários nas redes públicas da TV russa, que dão ampla cobertura a todas suas reuniões, visitas a fábricas, universidades e unidades militares e outros, sobretudo quando aparece ao lado de Putin.

Antigo amigo e colaborador de Putin, Medvedev propôs que o atual presidente lidere seu Governo, caso seja eleito. Putin aceitou a oferta e a popularidade de Medvedev entre os eleitores disparou.

Um dos argumentos utilizados pela equipe de Medvedev para renunciar aos debates, segundo a imprensa, seria de que seus rivais carecem de projetos sólidos de desenvolvimento para o país, enquanto o candidato governista possui o 'Plano Putin', uma compilação de tarefas e promessas reunidas durante os oito anos deste no Kremlin.

Ao renunciar aos debates, Medvedev age da mesma forma que o partido governista que o promoveu como candidato, o Rússia Unida, no pleito legislativo de dezembro, e como o próprio Putin durante sua campanha eleitoral de 2000 e para a reeleição, em 2004.

Sua decisão contrasta com os desejos da população evidenciados em recente pesquisa: 73% dos russos gostariam que o favorito nas eleições participasse dos debates.

Medvedev anunciou sua recusa um dia antes de a CEC dividir os espaços televisivos entre os candidatos para que debatam e apresentem seus programas, que costumam ser transmitidos em horário de pouca audiência, das 7h às 8h e das 22h às 23h.

Segundo o analista político Stanislav Belkovski, Medvedev renunciou aos debates porque 'sua participação evidenciaria sua fraqueza, e para o aspirante ao cargo máximo do Estado não há coisa pior que demonstrar ao povo russo sua fraqueza e sua incapacidade de polemizar', disse Belkovski ao jornal digital 'Gazeta.ru'.