Fidel Castro expressou a Lula sua saudade da União Soviética

Agência EFE

HAVANA - O líder cubano, Fidel Castro, expressou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua reunião do dia 15, que sente saudades da União Soviética, cujo fim foi, para ele, "como se o sol deixasse de sair". Foi "um golpe demolidor", acrescenta Fidel na terceria parte do artigo intitulado 'Lula', publicado hoje pelo jornal oficial "Juventud Rebelde'. As duas primeiras partes foram divuldas na quinta e sexta-feira no jornal 'Granma', órgão do comitê central do Partido Comunista.

O Produto Interno Bruto cubano caiu 35% por causa do colapso da União Soviética, e então 'muitos partidos e organizações de esquerda se desalentaram', mas Cuba se manteve fiel e firme, lembrou Fidel. "Não somaríamos as nossas (vozes) ao coro dos apologistas do capitalismo, fazendo lenha da árvore caída. Nenhuma estátua dos criadores ou porta-bandeiras do marxismo foi demolida em Cuba. Nenhuma escola ou fábrica mudou de nome", afirma no artigo.

Fidel relata que falou também a Lula do guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, da falta de terras no mundo para semear, da grave situação da África e de atentados e conspirações dos Estados Unidos contra Cuba. "O pior foi a falta de escrúpulos e os métodos exibidos pelo império para impor seu domínio sobre o mundo. Introduziram um vírus no país e liquidaram as melhores cachaças; atacaram o café, atacaram também os suínos", assegurou.

Ele destacou que, por outro lado, os dirigentes soviéticos, quando Cuba não podia cumprir, devido a estas causas, os envios de açúcar, nunca deixaram de mandar as mercadorias previstas nos contratos. Fidel Castro, de 81 anos, cumpriu este fim de semana um ano e meio sem aparecer em público, em uma Cuba que aguarda o próximo mês para saber se ele continuará ou não à frente do Governo.

Em 26 de julho de 2006, ele falou em Bayamo (província de Granma), na comemoração da fracassada invasão que liderou ao quartel Moncada de Santiago de Cuba, em 1953, e depois se deslocou a Holguín e liderou um ato de inauguração de uma central de energia. Estas foram suas últimas aparições em público, já que aquela noite adoeceu 'gravemente' e pensou que 'era o fim', como ele mesmo lembrou no primeiro capítulo do artigo 'Lula'.

Em outro artigo de sua série intitulada "Reflexões", datado de 14 de janeiro e publicado no dia 16, um dia após receber o presidente brasileiro, Fidel afirmou que não tem capacidade física para participar de atos públicos. "Faço o que posso: escrevo".