Juiz americano ratifica extradição de Noriega à França

Agência EFE

WASHINGTON - Um juiz americano ratificou hoje a extradição do ex-general panamenho Manuel Antonio Noriega à França, ao avaliar que sua condição de prisioneiro de guerra não impede que responda nesse país por acusações de lavagem de dinheiro.

O juiz Paul Huck negou um segundo pedido de habeas corpus a Noriega após decidir que a França forneceu suficientes garantias que o ex-militar panamenho estará sob proteção da Convenção de Genebra, inclusive se não lhe for outorgado status de prisioneiro de guerra.

Huck informou à defesa que nos próximos dias entregará uma certidão que permitirá aos advogados do ex-general recorrer da decisão perante o 11º Tribunal de Apelações de Atlanta.

Em uma audiência de quase uma hora Huck disse que estava de acordo com a sentença do juiz William Hoeveler, que em setembro passado rejeitou os argumentos que Noriega não devia ser enviado à França porque isso violaria a Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra.

- Este é um caso excepcional, não acho que a Convenção de Genebra tenha sido desenhada contemplando este tipo de situação - expressou Huck.

Tropas americanas invadiram o Panamá no dia 20 de dezembro de 1989 e no mês seguinte detiveram Noriega, que foi enviado aos EUA, onde em 1992 foi julgado e condenado a 40 anos de prisão, acusado de permitir o envio a este país dos embarques de cocaína do desaparecido cartel colombiano de Medellín.

A pena foi rebaixada para 30 anos por já ter cumprido prisão e depois para 20 "por boa conduta", dos quais cumpriu 17 no dia 9 de setembro do ano passado, dia em que deveria ser posto em liberdade, mas permanece em uma prisão de Miami à espera de que se defina sua situação.