Sarkozy defende-se de críticas por visita de Kadafi

REUTERS

PARIS - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendeu na terça-feira sua decisão de congratular o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pela vitória do partido dele nas eleições gerais e de convidar Muammar Kadafi, da Líbia, para uma visita.

As duas atitudes foram duramente criticadas.Em uma entrevista coletiva de duas horas e da qual participaram mais de 500 jornalistas, Sarkozy tratou de uma variada gama de questões, mas, quanto à diplomacia, limitou-se basicamente a defender as decisões recentes.

No mês passado, o presidente francês foi criticado devido a uma visita de cinco dias realizada por Kadafi.

- Honestamente, houve uma algazarra um tanto ridícula devido à visita do senhor Kadafi - afirmou Sarkozy a repórteres, referindo-se às muitas críticas surgidas devido à decisão dele de convidar o líder da Líbia, críticas saídas inclusive de dentro do governo.

A França e a Líbia assinaram acordos comerciais de bilhões de dólares durante a visita, a primeira de Kadafi a Paris em 34 anos, o que levou grupos de defesa dos direitos humanos e a oposição a acusarem Sarkozy de colocar os interesses econômicos à frente das vidas humanas.

Segundo o dirigente francês, a viagem de Kadafi justificava-se porque o líder da Líbia renunciou a seu programa de armas de destruição em massa e permitiu a libertação de seis profissionais da área da saúde detidos em território líbio sob a acusação de terem contaminado crianças com o vírus da Aids.

Pesquisas de opinião mostraram que os franceses desaprovaram a visita realizada pelo homem que pagou uma indenização às famílias das vítimas do atentado de 1989 contra o avião da UTA, atentado esse ocorrido quando o aparelho sobrevoava o Níger (na parte ocidental da África).

Sarkozy, que se reuniu com Kadafi por duas vezes, afirmou que o líder da Líbia havia sido recebido com afeição, mas negou que tivesse sido alvo de algum tipo de tratamento especial.

- Não houve nenhum tipo de pompa. Ele ficou cinco dias porque desejava ficar cinco dias antes de partir rumo à Espanha. Não houve nenhuma cerimônia especial. Não houve nenhum grande jantar oficial, ou seja, um jantar com 300 ou 400 pessoas - afirmou.

Sarkozy também foi questionado a respeito do telefonema que deu para o presidente russo, no mês passado, a fim de congratulá-lo pela vitória do partido dele em uma eleição parlamentar amplamente criticada.

Poucos dirigentes europeus felicitaram Putin, e a manobra de Sarkozy colocou-o em desavença com a Alemanha, um importante aliado da França e para quem o processo não foi 'nem livre, nem justo e nem democrático' segundo os padrões europeus.

Sarkozy defendeu as políticas da França em relação ao Líbano, à Síria e à Argélia, reiterando que deseja ajudar os países em desenvolvimento, incluindo os do mundo árabe, a dominarem a tecnologia nuclear para uso civil.

O presidente francês repetiu querer que o Grupo dos Oito (G8), que reúne os países industrializados, transforme-se no G13, que incluiria também o México, a África do Sul, o Brasil e a Índia.

Sarkozy afirmou ainda que a França concordava com a ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a fim de incluir a Alemanha, o Japão, o Brasil, a Índia e um país africano.