Hillary Clinton aposta todas as fichas em New Hampshire

Agência AFP

WASHINGTON - Hillary Clinton aposta nesta terça-feira todas suas fichas nas primárias de New Hampshire (Nordeste dos EUA), onde se prepara para um novo embate contra seu principal adversário democrata, Barack Obama, na corrida à Casa Branca.

Do lado republicano, o vencedor em Iowa, Mike Huckabee, que representa os conservadores cristãos, não deve passar de um terceiro lugar em New Hampshire, Estado onde deve triunfar o senador John McCain, 71 anos, veterano da guerra do Vietnã.

Embalado por sua vitória nos caucus (assembléias de eleitores) de Iowa, o senador de Illinois Barack Obama, 46 anos, reduziu em pouco tempo a distância que o separava da ex-primeira-dama nas pesquisas de opinião, tanto em New Hampshire, onde é o favorito, como no resto dos Estados Unidos.

Diante de uma multidão estática, o homem que quer se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos protagonizou na noite de segunda-feira uma última reunião eleitoral para exortar seus seguidores a "lutarem e a arriscarem tudo para algo que não existia antes".

No entanto, Hillary Clinton, que quase não conteve o choro segunda-feira, garantiu que lutará até o fim.

Ela intensificou os ataques contra Obama, a quem acusa de inexperiência e de utilizar seu talento de orador para dissimular a falta de conteúdo de seu programa.

A ex-primeira-dama também insiste na diferença abismal que existe segundo ela entre a falta de experiência política do jovem senador e o legado deixado pelos homens que apresenta como seus modelos, Martin Luther King e John Kennedy.

Ela tem duas semanas para inverter a tendência antes das próximas prévias que a aguardam em Nevada e Carolina do Sul, seguidas pela "superterça" de 5 de fevereiro, quando votarão 22 Estados entre os mais importantes do país, como a Califórnia (Oeste) e Nova York (Nordeste).

Do lado republicano, se McCain confirmar as previsões das pesquisas, piorará a situação do ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, um rico empresário mórmon que investiu muito tempo e dinheiro em sua campanha e que já sofreu um primeiro revés em Iowa (Centro).

O ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani vai pagar em New Hampshire o preço da arriscada estratégia de não fazer campanha neste Estado para se concentrar em outros considerados mais importantes, como a Flórida (Sudeste). Segundo as pesquisas, Giuliani não deve passar do quinto lugar nas primárias desta terça-feira.

Os primeiros colégios eleitorais abriram suas portas às 6h (8h de Brasília) nas duas maiores cidades de New Hampshire, Manchester e Nashua. O fechamento dos últimos centros de votação está previsto para as 20h (23h de Brasília). Os resultados devem ser conhecidos uma ou duas horas depois.

O Estado de New Hampshire, onde 13 candidatos brigam pelos votos de cerca de 850.000 eleitores, está acostumado a desempenhar um papel preponderante nas primárias americanas. Em toda a história dos Estados Unidos, o candidato que triunfou em Iowa e New Hampshire obteve sistematicamente a indicação de seu partido para disputar a eleição presidencial. A vitória em New Hampshire marcou o início da irresistível ascensão de Bill Clinton até à Casa Branca, em 1992.

A pequena localidade turística de Dixville Notch, no Norte do Estado, foi a primeira a abrir seu centro de votação, às 3h desta terça-feira (horário de Brasília). O centro fechou suas portas poucos minutos, depois que os 17 inscritos colocaram suas cédulas na urna. Do lado republicano, John McCain obteve quatro votos, Mitt Romney dois e Rudolph Giuliani uma. Do lado democrata, Barack Obama obteve sete votos, o ex-senador da Carolina do Norte John Edwards dois, e Bill Richardson, o governador de Novo México, uma. Nenhum dos 17 eleitores votou em Hillary Clinton.