Empresário quer mandar lixo da região de Nápoles para o Paraguai

Agência EFE

ROMA - Um empresário italiano pretende enviar os resíduos urbanos gerados na região da Campânia (sul da Itália), cuja capital é Nápoles, para o Paraguai, por meio de uma fundação do país sul-americano.

Francesco Avella, dono de uma empresa com sede em Nápoles, garante que isso resolveria a chamada 'crise do lixo' observada na Campânia e beneficiaria cerca dez mil paraguaios.

A companhia de Avella, o qual também é membro da Fundação paraguaia 'Jajohaihupa Ñande Reta-Me', exporta há anos carvão para churrasqueiras ao Paraguai.

O empresário disse hoje à Agência Efe que sua proposta é 'um projeto com fins beneficentes' que pode favorecer entre cinco e dez mil paraguaios.

A proposta de Avella consiste em enviar ao Paraguai, por meio de navios, entre seis e nove mil toneladas de resíduos por semana.

Segundo a imprensa local, o lixo seria enviado em contêineres e o custo seria de 275 euros por tonelada.

Avella disse que, por mais que o Estado italiano gaste dinheiro para enviar os resíduos, o importante é que se trata de uma obra beneficente.

O lixo seria doado à fundação 'Jajohaihupa Ñande Reta-Me', que o encaminharia a vilarejos locais encarregados da recuperação de materiais recicláveis e de resíduos orgânicos destinados a fertilizar as terras.

- Todos ganhariam - disse Avella à Efe, já que, segundo ele, isso acabaria com um problema que aflige a região da Campânia há 13 anos e ajudaria a milhares de pessoas no Paraguai.

O empresário apresentou seu plano às autoridades italianas, que tomarão uma decisão a respeito.

Hoje mesmo, o Governo italiano aprovou um plano de ação para combater a crise gerada por toneladas de lixo que não são recolhidas há semanas, o qual contempla, entre outras medidas, a implantação de três incineradores de lixo na Campânia e a abertura de vários lixões.

Segundo o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, o plano será acompanhado por outras medidas extraordinárias e tem como objetivo dar à Itália uma auto-suficiência completa em termos de coleta de lixo, 'evitando o recurso da exportação de resíduos'.