Irã confirma incidente com embarcações americanas no Estreito de Ormuz

Agência EFE

TEERÃ - O Governo do Irã confirmou nesta segunda-feira a ocorrência de "um incidente" entre embarcações da Guarda Revolucionária iraniana e navios da Marinha americana no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico.

No entanto, o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Mohammad Ali Hosseini, minimizou o "incidente" ao classificá-lo como "normal" e assegurar que o mesmo "foi superado imediatamente", segundo a televisão iraniana "Alalam".

Fontes do Pentágono acusaram hoje embarcações iranianas de perseguir, provocar e "atuar de forma agressiva" contra três navios da Marinha dos Estados Unidos em Ormuz, estreito com importância estratégica para a navegação no Golfo Pérsico.

Elas afirmaram que os navios iranianos se retiraram quando as embarcações americanas se preparavam "para abrir fogo em legítima defesa".

O porta-voz iraniano não deu outros detalhes sobre o episódio, mas ressaltou que "o incidente ocorreu na noite de sábado", e que "é algo rotineiro que ocorreu outras vezes no passado e foi superado de forma imediata".

Uma fonte da Guarda Revolucionária negou que os navios iranianos "tenham interceptado ou provocado embarcações americanas", e disse que as afirmações do Pentágono sobre o caso eram "infundadas", de acordo com a "Alalam".

A emissora iraniana vinculou o incidente à viagem do presidente americano, George W. Bush, pelo Oriente Médio e pelo Golfo Pérsico, onde os Estados Unidos têm uma grande presença militar.

As autoridades iranianas, lideradas pelo presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, reiteraram várias vezes sua oposição à presença militar americana na região, por considerar que "a segurança da zona deve ser responsabilidade de seus próprios países".

O chefe de Estado iraniano propôs em dezembro às nações árabes vizinhas ao Irã um acordo de cooperação econômica e em matéria de segurança, com o objetivo de "impedir a interferência estrangeira" na região, em referência aos EUA.

O governante iraniano anunciou a proposta durante a cúpula anual do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), realizada entre 3 e 4 de dezembro no Catar, da qual participou como "convidado".

O grupo é formado por Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Barein e Omã, todos vizinhos do Irã e aliados dos EUA. Alguns deles inclusive possuem bases militares americanas.

O Irã, acusado por Washington de tentar desenvolver um programa nuclear militar e de apoiar a insurgência no Iraque, criticou a viagem de Bush pelo Oriente Médio e pelo Golfo Pérsico, e insinuou que seu propósito é "proteger os interesses da entidade sionista (Israel)".

Além de Israel e Cisjordânia, o presidente dos Estados Unidos deve visitar entre 9 e 16 deste mês Kuwait, Barein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito, para discutir o processo de paz no Oriente Médio e o programa nuclear iraniano.