Corte Suprema dos EUA se divide sobre a pena de morte

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WASHINGTON - O uso da injeção letal cria o risco de execuções cruelmente desumanas, com dor aflitiva, disse na segunda-feira o advogado de dois réus do corredor da morte à Corte Suprema dos Estados Unidos, que analisa um caso que atrai a atenção de todo o mundo.

Já os advogados do Estado de Kentucky e do governo Bush defenderam o coquetel de três drogas atualmente usado em quase todas as execuções nos EUA. Eles disseram que as substâncias, se administradas corretamente, resultam numa morte indolor.

Adversários da prática argumentam que os condenados muitas vezes não ficam totalmente inconscientes com a primeira droga, como deveria acontecer. Isso acaba resultando em sofrimentos na hora da segunda e terceira substâncias, respectivamente paralisante e cáustica.

Os juízes da Suprema Corte parecem estar muito divididos. É a primeira vez que uma alta corte dos EUA analisa métodos específicos de execução desde a decisão de 1879 que manteve a prática dos pelotões de fuzilamento.

Embora a audiência tenha discutido exclusivamente a conveniência do uso do coquetel tríplice ou a necessidade de uma alternativa, o caso despertou um debate nacional sobre a pena capital em si, já que os EUA são uma das únicas democracias do mundo que adotam a pena de morte.

As execuções em todo o país estão temporariamente suspensas desde o final de setembro, quando a Suprema Corte aceitou julgar este caso. Em 2007, houve 42 execuções, menor número em 13 anos. Atualmente, 36 dos 50 Estados adotam a pena capital.

Em dezembro, Nova Jersey se tornou o primeiro Estado a abolir a prática desde que a Corte Suprema re-adotou a pena de morte, em 1976.