Camboja comemora 29º aniversário da queda do Khmer Vermelho

Agência EFE

PHNOM PENH - O Camboja lembrou nesta segunda-feira o 29º aniversário da queda do Khmer Vermelho, sob cujo regime morreram cerca de 1,7 milhão de pessoas.

Nos próximos meses, começará em um tribunal internacional o julgamento contra os antigos dirigentes do Khmer Vermelho por genocídio e crimes contra a humanidade.

Na sede do Partido do Povo do Camboja (PPC), a legenda que governa em coalizão o país desde o restabelecimento da democracia, em 1993, cerca de 5.000 pessoas participaram dos atos oficiais dirigidos pelo presidente do Senado, Chea Siim.

- Apesar de terem passado 29 anos, todos lembramos ainda os horrores do período de três anos, oito meses e vinte dias da Kampuchea Democrática de Pol Pot, desde que tomou o poder em 17 de abril de 1975 - assinalou Chea Siim.

- Eles arruinaram a infra-estrutura social do país, enquanto despojavam os indivíduos de seus direitos e liberdades e os reduziam a escravos vivendo vidas desumanas - acrescentou o dirigente do PPC.

Chea Siim reafirmou o compromisso de sua legenda, liderada pelo primeiro-ministro, Hun Sen, um antigo khmer vermelho que deserdou e se uniu às forças libertadoras, com o tribunal internacional organizado pela ONU em colaboração com o Camboja.

Até o momento, cinco dirigentes do Khmer Vermelho aguardam em custódia o começo de seus juízos.

As instalações do tribunal internacional e as celas com Khieu Samphan (76 anos), Nuon Chea (81), Ieng Sary (82), a esposa deste último, Ieng Thint (75), e Kang Kek Iev, ficam perto do campo de extermínio de Choeung Ek e das fossas nas quais os khmeres vermelhos sepultaram milhares de vítimas.

Samphan foi o presidente da República Democrática da Kampuchea; Sary, o chanceler; Chea, o 'irmão número dois', ministro do Interior; e Kang Kek Iev, o chefe dos carrascos do centro de Tuol Sleng, onde morreram 14.000 pessoas.

Pol Pot, o 'irmão número um' e primeiro-ministro, morreu na selva cambojana em 1998.