Bush pedirá mais petróleo e confiança na economia a países do Golfo

Agência EFE

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pedirá o aumento da produção de petróleo e confiança na economia americana aos países do Golfo Pérsico durante sua viagem ao Oriente Médio, afirmam analistas.

Com o dólar valorizado devido ao medo de uma recessão na maior economia do mundo, a última coisa de que o país precisa é que os Governos da região questionem os investimentos feitos nos EUA e transformem seus petrodólares em petroeuros, o que levaria a uma queda do valor da moeda americana, de acordo com analistas.

O petróleo será outro importante tema da viagem, que acontecerá de 8 a 16 de janeiro.

Há vinte anos, quando dirigia empresas petrolíferas, o barril próximo aos US$ 100 no mercado de Nova York teria sido motivo de alegria para Bush. No entanto, a escalada do preço da commodity coloca a possibilidade de uma recessão ainda durante seu mandato e de milhões de motoristas mal-humorados nos postos de gasolina.

Assim, em suas reuniões no Golfo Pérsico Bush se verá obrigado a pedir uma maior produção e um maior investimento nas jazidas, de acordo com Marcus Noland, analista do Instituto de Economia Internacional.

A possibilidade de sucesso é baixa, no entanto, em vista das declarações feitas por Chakib Khelil, ministro de Energia e Minas da Argélia e atual presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que disse nesta segunda-feira em Paris que o mercado está 'bem abastecido' e 'que não há qualquer razão para aumentar a oferta'.

Para Kuwait, Barein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, os países do Golfo Pérsico que serão visitados por Bush, os atuais preços representarem uma fonte de riqueza, mas também criaram inconvenientes.

A inflação atingiu os dois dígitos na região. Além disso, com exceção do Kuwait, os países têm um câmbio fixo com o dólar fraco, enquanto entram grandes quantias de dinheiro pela commodity.

- Há uma preocupação crescente na região com a vinculação com o dólar - disse Anthony Cordesman, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês), um instituto independente.

A decisão de abandonar a paridade traria danos à moeda americana.

Simon Henderson, do Washington Institute for Near East Policy, não acredita que os países da região cortem o cordão umbilical com a divisa americana.

Ele disse que essa política cambial está 'vinculada às garantias de defesa oferecidas pelos EUA a esses países, onde mantêm muitas bases militares'.

Durante a viagem, a mensagem geral de Bush a seus interlocutores será a de que o 'mercado de capitais dos EUA funciona bem e que seu país está aberto ao investimento', segundo Noland.

Para analistas, alguns dos interlocutores podem ter dúvidas sobre as duas coisas.

Os líderes da península arábica, hospitaleiros e respeitosos, ouvirão os pedidos, mas não farão mais do que isso, acreditam os analistas.