Quênia encerra eleições históricas em clima de paz e tranqüilidade

Agência EFE

NAIRÓBI - Aproximadamente 14 milhões de cidadãos do Quênia participaram nesta quinta-feira das eleições gerais mais disputadas da história do país, em um dia em que a tranqüilidade e um massivo comparecimento às urnas se destacaram.

Na votação desta quinta-feira, o presidente Mwai Kibaki, no poder desde 30 de dezembro de 2002, concorria à reeleição, mas pesquisas prévias o colocavam ligeiramente abaixo do dirigente opositor Raila Odinga, de 62 anos.

A forte presença nas urnas começou a ser percebida antes mesmo da abertura dos colégios. As filas nos centros de votação da capital visitados eram longas.

Em uma primeira avaliação, o chefe da missão de observadores eleitorais no Quênia da União Européia (UE), Alexander Graf Lambsdorff, disse à Efe que a votação foi 'bastante limpa, ordenada e pacífica', com exceção de 'alguns casos isolados'.

- Aconteceram algumas irregularidades, mas ainda não chegamos a nenhuma conclusão - afirmou o chefe da missão eleitoral européia.

A UE enviou ao Quênia 150 observadores eleitorais, que se somaram aos cerca de 20.000 de organizações e instituições locais e internacionais.

Os atrasos mais graves na abertura das urnas, compensados com uma prorrogação na votação, foram registrados no bairro pobre de Kibera, em Nairóbi, circunscrição pela qual concorre Odinga.

Mais de meio milhão, do um milhão e meio de residentes do bairro, se amontoaram diante das portas dos colégios e exigiram que pudessem votar. A presença em massa nas urnas durante as primeiras horas foi caindo à medida que o dia chegava ao fim.

Odinga, do Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla em inglês), estava entre os que votavam nessa jurisdição, mas foi a princípio impedido devido a uma falha nos registros, retornando ao seu veículo visivelmente contrariado, o que provocou uma onda de gritos e insultos por parte dos seus seguidores contra o Governo.

Horas depois pôde retornar à seção e registrar seu voto, e em declarações à televisão pública disse que a confusão aconteceu devido à 'tentativa deliberada' do Governo de manipular o resultado nessa importante jurisdição.

Para chegar a chefe de Estado o dirigente da oposição, além de maioria na votação presidencial, necessita ser eleito deputado. Também é preciso obter 25% dos votos em cinco das oito regiões do país.

O presidente Kibaki, de 76 anos, que aspirou à reeleição como líder da lista do Partido de União Nacional (PNU), votou sem problemas em Othaya, no norte da capital.

Musyoka Kalonzo, de 54 anos, fundador do Movimento Democrático Laranja do Quênia (ODM-K, na sigla em inglês) e terceiro nas pesquisas, também votou em Nairóbi.

Além do presidente foram escolhidos nesta quinta-feira 210 deputados do Parlamento.