Promotor diz que países sul-americanos não ajudaram em investigação

Agência EFE

ROMA - O promotor Giancarlo Capaldo disse nesta quinta-feira que os países sul-americanos 'não colaboraram' na investigação sobre o desaparecimento de italianos na chamada 'Operação Condor', e que terminou com a detenção, no último dia 24, do ex-militar uruguaio Jorge Tróccoli e a expedição de 139 ordens de prisão.

Em declarações, Capaldo disse nesta quinta-feira que essas 140 pessoas são acusadas de ter organizado ou participado diretamente na "Operação Condor', operação das ditaduras da Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Brasil e Bolívia para acabar com os opositores nos anos 70 e 80.

Capaldo, que deu início às suas investigações em 1998, cuida do desaparecimento de 25 italianos na Argentina, Chile, Uruguai, Brasil e Bolívia.

O promotor disse que 'a investigação foi muito complexa já que os fatos aconteceram há muitos anos' e que todos os documentos e testemunhas estavam fora da Itália, além de que 'não houve qualquer colaboração com os países da América do Sul'.

- A falta de colaboração com as autoridades destes países complicou muito. É muito difícil investigar em outro país sem a ajuda das respectivas autoridades - acrescentou o promotor adjunto de Roma.

Capaldo não entrou em detalhes da lista dos 140 acusados, mas disse que entre eles se encontram 'os chefes das Juntas militares destes países e os responsáveis das forças armadas, serviços de segurança e da Polícia', que eram os 'responsáveis pelas repressões contra os movimentos de oposição'.

O promotor acrescentou que também terão que responder às acusações os diretos executores das campanhas de repressão contra os movimentos de oposição como os grupos uruguaios Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T) e o Resistência Operário-Estudantil (ROE).

Segundo Capaldo, embora muitos deles 'não tenham uma específica responsabilidade no desaparecimento dos cidadãos italianos, são acusados de ter ativado as estruturas e serviços de informação que consentiram o seqüestro, a transferência destas pessoas de um país ao outro, sua detenção e seu posterior assassinato'.

Capaldo afirmou que durante estes anos conseguiu declarações de centenas de testemunhas, muitos deles recorreram à Itália, enquanto outros se apresentaram aos consulados italianos em diversos países do mundo.

O promotor comentou que conta com as declarações de testemunhas que assistiram às reuniões dos dirigentes destes países sul-americanos e que provariam a existência das ações de repressão da 'Operação Condor'.

Em relação ao único detido até agora, o ex-militar uruguaio Jorge Tróccoli, que possui passaporte italiano e que residia em Salerno (sul da Itália), o promotor disse que sobre ele pesa acusação de "ter participado da campanha repressiva contra os membros dos Grupos de Ação Unificadora (GAU)'.

Segundo as investigações de Capaldo, Troccoli freqüentava a Escola Superior de Mecânica da Armada (Esma) na Argentina, lugar se acredita que se praticava tortura, onde alguns uruguaios detidos acabaram.

Troccoli é acusado também do desaparecimento do casal Dossetti-D'Elia e de outros dois italianos, e será interrogado nesta quinta-feira na prisão romana de Regina Coeli onde está desde 25 de dezembro.

Se por um lado o promotor italiano criticou a falta de colaboração com os países sul-americanos, por outro avaliou a troca de informação sobre que manteve nos últimos anos com o juiz espanhol Baltasar Garzón e o francês Roger Le Loire.

Agora o próximo passo do promotor é pedir ao Ministério da Justiça italiano que solicite aos diferentes países a extradição das outras 139 pessoas da lista.