Mundo manifesta repulsa e preocupação com assassinato de Bhutto

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LONDRES - Líderes políticos do mundo inteiro manifestaram indignação com o assassinato na quinta-feira da líder da oposição no Paquistão, Benazir Bhutto, e afirmaram temer pelo futuro do país, que é uma potência nuclear.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chamou o assassinato de um "ato covarde" e pediu aos paquistaneses que continuem pressionando para a realização das eleições nacionais.

- Os EUA condenam veementemente esse ato covarde de extremistas assassinos que tentam destruir a democracia paquistanesa - disse ele a repórteres no Texas.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chamou o crime de hediondo.

- A França, assim como a União Européia, defende especialmente a estabilidade e a democracia no Paquistão - escreveu ele numa carta ao presidente paquistanês, Pervez Musharraf.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "chocado" com o assassinato de Bhutto, segundo o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.

- Estive com o presidente e ele está muito chocado. Evidentemente temos uma preocupação de que a situação no Paquistão não se deteriore. Nós vemos com pesar e ao mesmo tempo com preocupação - disse Garcia.

As eleições no Paquistão estão previstas para 8 de janeiro. Benazir foi morta quando saía de um comício eleitoral, num atentado a tiros e a bomba. Outras 16 pessoas morreram no ataque. A identidade do agressor não estava clara, mas militantes islâmicos já foram responsabilizados por atentados anteriores contra a vida dela.

- O subcontinente perdeu uma líder excepcional que trabalhou pela democracia e pela conciliação em seu país - disse o premiê indiano, Manmohan Singh. A Índia é o rival nuclear do Paquistão.

O premiê britânico, Gordon Brown, disse que Benazir arriscou tudo para tentar levar a democracia a seu país, que já foi uma colônia da Grã-Bretanha.

- Não se pode permitir que os terroristas matem a democracia no Paquistão - disse ele.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, disse que o crime monstruoso foi um "ataque à estabilidade" do Paquistão. Os termos foram usados também pelo presidente do braço executivo da União Européia, José Manuel Barroso.

- É um ato criminoso e é fortemente condenado - disse Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

- O que o Paquistão precisa muito agora é de calma e do retorno da estabilidade.

- É difícil enxergar qualquer sinal de esperança, paz e reconciliação nesse país - disse um porta-voz do Vaticano sobre o Paquistão, acrescentando que o papa Bento 16 foi informado do crime.