Justiça italiana ordena detenção de envolvidos na 'Operação Condor'

Agência EFE

ROMA - Um total de 140 pessoas, entre ditadores, ministros e chefes dos serviços secretos e policiais de Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru e Paraguai, devem ser julgados em Roma pelo desaparecimento de 25 italianos na chamada 'Operação Condor'.

A juíza italiana Luisanna Figliolia, antendendo ao pedido do promotor Giancarlo Capaldo, emitiu hoje 140 ordens de detenção contra cidadãos latino-americanos.

O passo seguinte no caso será um provável pedido de julgamento, assegurou nesta quinta-feira a imprensa.

Por enquanto, o único do grupo de 140 pessoas a ter sido detido é o ex-militar uruguaio Jorge Tróccoli, que foi voluntariamente até a Polícia de Salerno, no sul da Itália, após saber que existia uma ordem de detenção contra sua pessoa.

Agora, o promotor Capaldo deve pedir ao Ministério da Justiça italiano que solicite aos diversos países envolvidos a extradição das outras 139 pessoas, que estão sendo procuradas pela Interpol.

Todas elas são acusadas pelo desaparecimento de cidadãos de origem italiana na chamada 'Operação Condor', como foi chamada a ação articulada pelas ditaduras de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia para acabar com os opositores nos anos 70 e 80.

De início, a juíza Figliolia assinou 146 ordens de detenção para 13 brasileiros, 61 argentinos, sete bolivianos, 22 chilenos, sete paraguaios, quatro peruanos e 32 uruguaios, mas destes, seis já morreram, como o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, e outros também podem já estar mortos.

Entre os brasileiros está o ex-coronel gaúcho Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) no Rio Grande do Sul.