Chade condena franceses a 8 anos de trabalhos forçados

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N'DJAMENA - Seis franceses foram condenados na quarta-feira pela Justiça do Chade a oito anos de trabalhos forçados pela tentativa de sequestrar 103 crianças do país africano.

Os réus trabalhavam para a ONG Arca de Zoé. Eles foram julgados durante quatro dias em N'Djamena, a capital, para onde foram levados em outubro, quando tentavam embarcar as crianças de 1 a 10 anos para a Europa.

O governo chadiano enfrentou muita pressão da opinião pública interna para punir os franceses da Arca de Zoé de maneira exemplar.

Mas havia ampla expectativa de que um acordo judicial ou um perdão presidencial permitisse a volta dos réus à França.

Os seis negaram as acusações de sequestro e fraude. Afirmaram no tribunal que acreditavam que as crianças eram órfãs de Darfur (região do Sudão em guerra civil) e que não havia entrave à sua adoção por famílias européias. Eles disseram que o direito internacional justifica a operação humanitária.

'Mantenho o que eu disse desde o começo deste assunto: nossa intenção era retirar os órfãos de Darfur', disse Eric Breteau, diretor da Arca de Zoé, ao tribunal.

Advogados de defesa acusaram a Justiça chadiana de apressar o julgamento, sob pressão da França --que tem um contingente militar estacionado nesta ex-colônia para ajudar Deby contra rebeldes do leste do país.

Três chadianos e um sudanês também são réus nesse caso. O governo diz que a ONG não tinha autorização para retirar crianças do país.