Turquia realiza novos ataques no Iraque, após 150 mortes de rebeldes

Agência EFE

BAGDÁ - O Exército turco afirmou hoje que mais de 150 rebeldes curdos foram 'eliminados' nos recentes ataques aéreos ao norte do Iraque, sem incluir os novos bombardeios que ocorreram na manhã de hoje, segundo fontes curdas.

Regan, Seze e Samcuhu, três aldeias de Al-Mediya (norte do Iraque), foram bombardeadas por quatro caças-bombardeiros F-16 turcos, depois que aviões americanos sobrevoaram a região, informou hoje a agência de notícias 'Firat', próxima ao ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

No Iraque, fontes das forças de segurança curdas iraquianas disseram à Agência Efe que foram realizados bombardeios em uma região desértica da província de Dahuk (norte).

Said Shangali, diretor das forças de segurança da província, disse que aviões turcos atacaram o norte do Iraque às 12h30 (7h30 de Brasília), supostamente à procura de alvos dos rebeldes do PKK.

O vice-primeiro-ministro turco, Cemil Cicek, que também é porta-voz do Governo de Ancara, tinha advertido ontem que as operações além das fronteiras no norte do Iraque continuariam "enquanto o problema do PKK persistisse'.

Por sua parte, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que graças aos esforços diplomáticos de Ancara, a comunidade internacional estava apoiando a luta antiterrorista da Turquia 'como nunca fizera antes'.

O Estado-Maior turco declarou em comunicado que entre 150 e 175 rebeldes do PKK foram 'eliminados' em áreas abertas no norte iraquiano.

As mortes ocorreram exclusivamente durante os ataques aéreos de 16 e 22 de dezembro. Um número indeterminado de rebeldes também ficou ferido e foi transferido para hospitais de Erbil, Raniyah, Kaladiza e Choman, quatro cidades do norte iraquiano.

Em uma nota publicada em seu site, o Estado-Maior turco disse que não era possível determinar o número exato de combatentes mortos dentro de cavernas e de outros refúgios atacados.

Um total de 200 alvos foi atingido com 'grande êxito' pelos bombardeios da força aérea e artilharia da Turquia, segundo a nota.

"Destruíram três centros de comando, dois centros de comunicação e duas bases de treinamento, nove instalações logísticas e 182 refúgios de diversos tipos, assim como dez posições antiaéreas e 14 depósitos de armas e munição (do PKK)', acrescentou o Estado-Maior.

Em reação ao ataque dos rebeldes curdos, vários jovens simpatizantes do PKK incendiaram ontem cerca de cinqüenta automóveis em Istambul. Também não se descarta que um atentado frustrado na segunda-feira pela Polícia na mesma cidade era parte de um plano de resposta dos rebeldes turcos aos ataques.

Segundo o jornal governista 'Yeni Safak', uma pessoa foi detida ontem, em Istambul, com 3,2 quilogramas de explosivos.

O periódico afirma se tratar de um 'terrorista suicida' que recebeu do comando central do PKK a ordem de realizar um ataque suicida com explosivo no metrô da cidade turca.

A Polícia estava hoje interrogando o suposto terrorista, que foi preso com um documento de identidade falso, em nome de 'Mehmet Demirkaya', e outras cinco pessoas relacionadas a ele, também detidas.

Outros jornais afirmaram que foram encontrados mais explosivos na casa do principal acusado no caso.

Estas notícias aumentaram o temor de que o PKK responda à ofensiva do Exército com uma onda de atentados suicidas na Turquia.

Intelectuais nacionalistas começaram a admitir que a Turquia chegou a uma encruzilhada na questão dos curdos e propuseram "soluções políticas', enquanto continua a pressão militar com ataques às bases do PKK no norte iraquiano.

"Todos estão aliados na eliminação do PKK: Turquia, Estados Unidos, a administração do norte iraquiano, Irã e Síria. Os militares turcos e o Governo pensam de maneira semelhante em relação à questão curda', disse o analista político nacionalista Mumtazer Turkone.

O analista advertiu que chegou a hora de buscar uma opção pacífica à via militar.

Ele compartilha essa opinião com o presidente iraquiano, Jalal Talabani, que propôs, em declarações exclusivas publicadas hoje pelo jornal turco 'Taraf', que o Iraque ou os Estados Unidos intermedeiem o fim do enfrentamento bélico.

Talabani afirmou que caso o Governo de Ancara declare uma ampla anistia geral, os rebeldes curdos poderiam entregar suas armas a Bagdá ou Washington.