Colômbia: Natal é comemorado mas país espera a libertação de reféns

Agência EFE

BOGOTÁ - Os colombianos celebraram hoje o Natal esperançosos de ver a libertação de três dos reféns 'passíveis de trocas' que se encontram em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), embora a guerrilha não tenha respondido ao clamor do Governo e do país.

O feriado de Natal coincidiu com aniversários tristes para as famílias de três dos 45 reféns: a da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt, que também tem nacionalidade francesa, e as dos militares Pablo Emilio Moncayo e Libio José Martínez.

Os militares, sobreviventes de um ataque rebelde que acabou com dez mortos e 18 seqüestrados - 16 deles já libertados -, completaram uma década nas mãos das Farc no último dia 21, o que os torna os reféns 'passíveis de troca' há mais tempo em cativeiro.

Já a ex-candidata à Presidência, seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 junto com a companheira de chapa Clara Rojas, 'comemora'

hoje seu 46º aniversário, o sexto ao lado dos rebeldes.

"Ingrid gostava de estar com a família (no Natal e no seu aniversário)', declarou o marido da seqüestrada, Juan Carlos Lecompte, em entrevista por telefone à Agência Efe, durante a qual também disse que sente 'muita dor' por mais este aniversário.

O publicitário lembrou que nas últimas celebrações familiares em Bogotá - em dezembro de 2001 -, se reuniram ele, Ingrid, os dois filhos do primeiro casamento dela - Melanie e Lorenzo Delloye - e a mãe da refém, Yolanda Pulecio.

Clara Rojas, Emmanuel - o filho que esta teve em cativeiro depois de se envolver com um rebelde - e a ex-deputada Consuelo González de Perdomo são os reféns que o país e muitas pessoas no mundo esperam que as Farc libertem nas próximas horas ou dias, conforme o anunciado num comunicado com data de 9 de dezembro e divulgado há uma semana.

Os rebeldes não estabeleceram um prazo para formalizar a entrega do grupo. O local também não foi divulgado, mas alguns jornalistas afirmam que a libertação acontecerá em algum ponto da fronteira da Colômbia com a Venezuela ou com o Brasil.

Ainda segundo os guerrilheiros, os reféns 'deverão ser recebidos'pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, 'ou por alguém que ele designar'.

No comunicado, os rebeldes disseram que a libertação ocorrerá como uma reparação a Chávez, à senadora colombiana Piedad Córdoba e às famílias dos seqüestrados.

"(A libertação ocorrerá) como amostra inquestionável da esperança que tínhamos depositado no papel (de Chávez e de Córdoba) como facilitadores', afirmaram as Farc.

Chávez, como mediador, e Piedad, como facilitadora, assumiram essas funções em meados de agosto. Por conta desse compromisso, um comando rebelde se encontrou com o presidente venezuelano em Caracas, e a senadora colombiana foi aos Estados Unidos se reunir com dois guerrilheiros extraditados por Bogotá.

No entanto, no dia 21 de novembro, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pôs fim às gestões dos dois, que tinham feito ligações telefônicas a comandantes militares em Bogotá sem comunicá-lo.

Com a decisão de Uribe, Chávez deixou as relações bilaterais em suspenso.

Após o fim das gestões de Chávez e Piedad, as autoridades colombianas se apoderaram de provas de que 16 reféns estariam vivos, as quais, provavelmente, tinham sido enviadas para Caracas.

Apesar disso, ontem, numa saudação de Natal aos seqüestrados, Uribe ratificou que vê com bons olhos o fato de as Farc terem escolhido Chávez para entregar Clara, Emmanuel e Consuelo, esta última mantida como refém desde 10 de setembro de 2001.

Na mensagem, Uribe mencionou as outras 750 pessoas que as Farc seqüestraram nos últimos dez anos e que 'ficaram desaparecidas'.

Elas são parte dos cerca de três mil cidadãos que permanecem em poder de guerrilheiros, paramilitares e seqüestradores comuns, segundo os registros da Fundação País Livre, entidade privada que luta contra este crime e dá assistência às vítimas e aos seus parentes.