Sérvia vive crise de Governo a menos de um mês de eleições

Agência EFE

BELGRADO - A crise de Governo na Sérvia a menos de um mês das eleições presidenciais de 20 de janeiro se agrava e pode desviar o país de seu caminho em direção à União Européia (UE), dependendo de como responderá à disposição do bloco de reconhecer o o Kosovo como um Estado independente.

Ontem à noite, o Partido Democrático da Sérvia (DSS), do primeiro-ministro Vojislav Kostunica, e seu parceiro Nova Sérvia (NS) concordaram em exigir do presidente do país, Boris Tadic, a interrupção do processo de integração com a UE caso o Kosovo seja reconhecido como Estado independente.

É o que informa um comunicado conjunto de ambas as legendas divulgado hoje em Belgrado.

Tadic necessita do apoio do DSS e do NS para ganhar o candidato ultranacionalista Tomislav Nikolic nas eleições, que, possivelmente, terão um segundo turno, previsto para 3 de fevereiro.

O mal-estar do DSS e do NS se deve à decisão do Partido Democrático (DS), liderado por Tadic, de convocar as eleições presidenciais para 20 de janeiro, sem consultar seus parceiros na coalizão de partidos pró-UE.

Analistas sérvios consideram as eleições uma espécie de plebiscito entre a orientação européia do país e um possível afastamento desse caminho.

Kostunica insiste em que, antes da assinatura do Acordo de Estabilização e Associação (SAA) com a UE, Bruxelas deve comprometer a a respeitar a integridade territorial da Sérvia.

A UE se propõe a oferecer à Sérvia a assinatura do SAA em 28 de janeiro, a poucos dias do segundo turno, como um sinal de apoio à via européia do país.

A Sérvia quer preservar o Kosovo, majoriatariamente habitado por albaneses independentistas - que são 90% da população local -, e, com a ajuda de Moscou, espera conseguir prolongar as negociações sobre o futuro status da província até conseguir um compromisso que satisfaça a ambas as partes.

Os albaneses deixaram claro que, em breve, proclamarão a independência e que esta será coordenada com os Estados Unidos e a UE.