Fujimori pede desculpas por abusos a direitos humanos

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LIMA - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori admitiu na sexta-feira que houve abusos aos direitos humanos durante seu governo e pediu desculpas aos parentes de pessoas mortas na guerra contra guerrilheiros de esquerda.

'Peço, sim, desculpas ñ...í a estas vítimas tanto das forças de ordem ñquanto das guerrilhas marxistasí do MRTA e do Sendero Luminoso', disse Fujimori ao ser interrogado por uma advogada dos familiares das vítimas sobre se pediria perdão.

'Isso me doía na alma', acrescentou.

Fujimori, 69 anos, pode ser condenado a até 30 anos de prisão nesse processo.

Apesar do pedido de perdão, ele negou que tenha ordenado que um esquadrão da morte matasse 25 pessoas e sequestrasse duas outras na década de 1990.

Historiadores avaliam que quase 70 mil pessoas tenham morrido em duas décadas de guerra contra a guerrilha maoísta Sendero Luminoso e, em menor medida, o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA). O governo de Fujimori (1990-2000) conseguiu praticamente acabar com as guerrilhas, mas supostamente cometeu inúmeros abusos a direitos humanos e teve enorme corrupção.

Ativistas disseram que o pedido de desculpas foi insincero e tardio. 'Isso é parte da sua estratégia para evitar ser condenado', disse Gisela Ortiz, irmã de um dos dez supostos militantes de esquerda mortos numa chacina na Universidade La Cantuta, em Lima.

'Ele teve 15 anos de oportunidades ñdesde a chacinaí para pedir perdão às famílias pelos crimes que cometeu neste país,' afirmou.

Na semana passada, a Suprema Corte condenou Fujimori a seis anos de prisão por ter determinado a invasão do domicílio da esposa de seu então chefe de espionagem, Vladimiro Montesinos, supostamente para destruir provas de corrupção.

Fujimori passou seis anos exilado no Japão, até se transferir para o Chile, onde foi preso e extraditado para Lima.