Posse de Cristina será palco de reuniões sobre Betancourt

Agência EFE

BUENOS AIRES - A posse de Cristina Fernández de Kirchner como presidente da Argentina se transformará na segunda-feira em palco de reuniões políticas para tentar acabar com o calvário de Ingrid Betancourt e outros seqüestrados pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além do presidente da França, Nicolas Sarkozy, estarão em Buenos Aires os principais atores interessados na libertação da ex-candidata presidencial colombiana e de outros reféns das Farc.

No entanto, de Bogotá, fontes do Governo colombiano disseram hoje à que a "Colômbia não procura mais mediadores" e que "a única pessoa autorizada para buscar uma aproximação com as Farc é o alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo".

Em declarações à emissora "Rádio Continental" de Buenos Aires, o chanceler colombiano, Fernando Araújo, disse hoje que seu Governo "não pediu" a mediação de Cristina Fernández nas negociações com as Farc e assinalou que foi o líder francês que "legitimamente" pediu a colaboração da Argentina.

Sarkozy fez um apelo ao chefe das Farc, Pedro Antonio Marín, conhecido como "Manuel Marulanda", para que liberte Betancourt a "título humanitário" e antes do Natal em troca de seu envolvimento na busca de um acordo no conflito colombiano.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, se comprometeu a explorar com Sarkozy "novas vias" para a busca de um acordo para a disputa, depois que colocou ponto final, no dia 21 de novembro, ao trabalho mediador do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e da senadora colombiana Piedad Córdoba com as Farc.

Em relação ao papel de Cristina Fernández no conflito colombiano, o chanceler Fernando Araújo disse à "Rádio Continental" que não sabe "qual é o nível de apoio solicitado por Sarkozy" e, portanto, não pode precisá-lo.

Araújo também respondeu a Yolanda Pulecio, que pela mesma emissora acusou hoje Uribe de "não querer fazer nada" para resolver o conflito, assinalando que a mulher "fala com dor de mãe".

Por parte do Brasil, o Governo reconheceu que uma possível mediação será discutida na reunião que o presidente Luís Inácio Lula da Silva e Uribe terão em Buenos Aires.