Chávez diz que Colômbia põe em risco a vida de reféns das Farc

Agência EFE

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o Governo colombiano não tem o mínimo sentido humanitário e está pondo em risco a vida dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Durante um discurso inflamado dirigido a seus partidários no encerramento da campanha eleitoral para o referendo de domingo, Chávez afirmou que Bogotá 'está acusando de terroristas' as pessoas que estavam com as provas de vida dos reféns e que, segundo ele, atuavam apenas como mensageiros.

Com isto, na sua opinião, o Governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, põe em perigo a vida dos seqüestrados.

Chávez atuava na mediação para uma troca humanitária, mas a sua missão foi cancelada por Uribe no dia 21 de novembro. Ele lembrou que pediu ao comando das Farc as provas de vida dos reféns, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, e disse que após muita insistência o pedido havia sido aceito.

As provas foram reveladas na madrugada desta sexta-feira pelo alto comissário para a Paz na Colômbia, Luis Carlos Restrepo. Ele disse que o Exército encontrou vídeos, cartas e uma memória de computador em poder de três supostos milicianos urbanos das Farc, detidos na quinta-feira.

Os três detidos são um homem de cerca de 60 anos e duas mulheres jovens. Eles foram capturadas por membros da elite do Exército num bairro popular do Sul de Bogotá, segundo confirmou o procurador-geral Mario Iguarán.

As autoridades colombianas explicaram que revelaram a informação por razões humanitárias, para permitir que as famílias dos seqüestrados vissem as provas de vida de 17 dos 45 reféns que as Farc querem trocar por 500 guerrilheiros presos.

Os vídeos mostram Betancourt, o ex-senador Luis Eladio Pérez, os americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves e vários militares e policiais. Alguns dos reféns estão há 10 anos em cativeiro na selva.

A senadora colombiana Piedad Córdoba, cuja mediação também foi cancelada por Uribe na semana passada, declarou que as provas de sobrevivência demonstram que a gestão que ela promovia com Chávez era séria.