ElBaradei diz que um ataque ao Irã pode levá-lo a ter armas nucleares

Agência EFE

BUENOS AIRES - O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o egípcio Mohamed ElBaradei, advertiu que 'usar a força' contra o Irã 'pode levá-lo a ter armas nucleares'.

"Espero que não se repita o que aconteceu no Iraque. Todos aprendemos a lição e desejo com todas minhas forças que com o Irã se resolva diplomaticamente', disse em entrevista publicada hoje pelo jornal Clarín, de Buenos Aires.

ElBaradei, que está visitando a Argentina, insistiu em que um ataque militar ao Irã 'não resolveria nada, ao contrário, atrasaria o plano iraniano, mas no final das contas não traria uma solução duradoura e geraria mais problemas em uma região que já é uma grande confusão: o Oriente Médio'.

"Não há 100% de garantia nem dados que nos indiquem que o Irã busca ter armas nucleares', disse ao indicar que 'apesar de tantas diferenças' acredita que 'todos vêem uma só solução para o Irã: a diplomacia'.

O diretor da agência nuclear da ONU e Prêmio Nobel da Paz 2005 reiterou esperar que 'não haja um paralelismo' com o caso do Iraque, invadido em 2003 por uma força militar liderada pelos EUA com a desculpa de que o regime de Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.

"Nosso dever é trabalhar objetivamente', comentou em referência às duras críticas que recebeu de parte da Casa Branca por negar que o Iraque tivesse tal tipo de armamento.

Assinalou que o caso do Irã é muito complexo e certamente haverá inspeções mais detalhadas da AIEA no país, que tem um plano em fase inicial de enriquecimento nuclear.

"Por 20 anos (Irã) desenvolveu um programa secreto e isso tornou muito difícil o trabalho da AIEA. Reivindiquei a eles máxima transparência e cooperação, pois houve uma perda de confiança na natureza do programa', especificou ElBaradei, para quem a chave do assunto 'é a crise de confiança'.