Santa Cruz pára em dia de protesto contra Evo Morales

Agência AFP

LA PAZ - Santa Cruz, uma cidade importante e centro do departamento considerado como o motor econômico da Bolívia, ficou paralisada nesta quarta-feira para protestar contra o governo de Evo Morales.

O dia de paralisação mantinha interrompidas as atividades em grande parte da cidade, em um ambiente de calma quebrado apenas por alguns incidentes isolados.

Na cidade, a cerca de 900 quilômetros de La Paz, nada funcionava normalmente hoje. Apenas táxis de emergência e autorizados circulavam pelas ruas; postos de gasolina e supermercados fecharam as portas, assim como as demais lojas, que ostentavam em sua vitrine a bandeira verde e branca regional.

A paralisação, que começou à meia-noite, também afetou bares e restaurantes e parte do aeroporto local, ao qual apenas os vôos internacionais tinham acesso.

Pouca gente andava nas ruas de Santa Cruz, de 2,5 milhões de habitantes, já que a maioria acatou o apelo de paralisação feito pelas autoridades e pelo Comitê Pró-Cívico de Santa Cruz, em rejeição a um projeto de Constituição aprovado pelo governo no sábado, em Sucre (Sul).

Essa aprovação, na ausência dos setores de oposição, provocou um surto de violência em Sucre, que deixou três mortos, em um episódio de extremo confronto que também era rejeitado pelos grupos que convocaram a parada regional desta quarta.

Em suas primeiras horas, a mobilização se desenvolveu de forma pacífica, sendo classificada como "um sucesso", por Branco Marinkovic, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, entidade que reúne empresários e dirigentes regionais.

A calma se viu alterada no mercado "4 de Novembro", onde alguns comerciantes que tentaram abrir seus negócios foram repelidos por jovens da ultra-radical Unión Cruceñista. São estes mesmos jovens que mantêm bloqueados alguns pontos da cidade, como a estrada para o aeroporto Viru Viru.

Em lugares da periferia, como o Plano 3.000 (uma zona pró-Morales), os ambulantes não acataram a convocação e saíram às ruas para vender seus produtos. A paralisação traz enormes prejuízos para a economia da Bolívia, já que Santa Cruz é responsável por quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Segundo cálculos privados, um dia de paralisação nessa cidade provoca perdas de 9,5 milhões de dólares.