Justiça argentina aceita processo sobre a Operação Condor

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BUENOS AIRES - A Justiça argentina decidiu levar adiante o processo relativo à operação conjunta de ditaduras sul-americanas contra seus opositores na década de 70, o que pode colocar o ex-presidente Jorge Videla no banco dos réus, disse a agência estatal Telám nesta quarta-feira.

Segundo fontes ligadas à investigação e citadas pela agência, o juiz Sergio Torres tomou a decisão após completar o estudo do processo, que envolve ainda outros 16 repressores, como os simbólicos Eduardo Harguindeguy, Cristino Nicolaides, Luciano Benjamín Menéndez e Antonio Bussi.

A chamada Operação Condor envolvia os regimes militares de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

O processo foi aberto em 1999 na Argentina por parentes de desaparecidos, e atualmente há 34 acusados, dos quais 27 já transformados em réus. Desses, dez estão sob prisão preventiva.

Além disso, vários dos réus estão presos ou sob prisão domiciliar, cumprindo ou aguardando a condenação por outros crimes de lesa-humanidade, como roubo de bebês, no caso de Videla.

Logo após assumir o cargo, em 2003, o presidente Néstor Kirchner pressionou o Congresso a revogar leis de anistia que haviam beneficiado milhares de repressores. Posteriormente, a Corte Suprema declarou essas leis inconstitucionais, o que permitiu à Justiça retomar as investigações.

Órgãos de direitos humanos crêem que o último regime militar argentino (1976-83) seqüestrou, torturou e assassinou cerca de 30 mil pessoas. Uma comissão independente obteve testemunhas para provar cerca de 11 mil casos.