Fujimori receberá primeira sentença nas próximas semanas

Agência EFE

LIMA - O ex-presidente peruano Alberto Fujimori receberá nas próximas semanas sua primeira sentença desde que foi extraditado do Chile, após as alegações finais no processo sumário sobre a revista ilegal da casa da mulher de seu ex-assessor Vladimiro Montesinos.

- Conforme estipula o artigo 6 do Decreto Legislativo 124, o vogal supremo está pronto para fixar a data de leitura de sentença, num prazo de 15 dias úteis - informou o Poder Judiciário em comunicado.

O vogal supremo Guillermo Urbina ouviu a argumentação do promotor José Pereyra. Ele pediu que o tribunal negue a Fujimori o benefício da 'confissão sincera' (admitir a responsabilidade), e defendeu uma condenação a sete anos de prisão, pelo delito de usurpação de funções.

A promotoria solicitou ainda uma multa de 1 milhão de novos sóis (US$ 333 mil) 'para ressarcir ao Estado pelos danos causados'.

O Procurador Anticorrupção, Carlos Briceño, mencionou as contradições em que Fujimori incorreu durante o processo.

- Ele não só ordenou a revista na casa de Montesinos, mas dirigiu a operação para apagar evidências - acusou.

O advogado de Fujimori, César Nakazaki pediu que a decisão final sobre o caso seja emitida conforme a sentença da Corte Suprema do Chile, de onde o ex-presidente peruano foi extraditado em setembro.

Em 7 de novembro de 2000, Montesinos fugiu do Peru após a divulgação de vídeos em que ele aparecia cometendo supostos atos de corrupção. Logo depois, um destacamento da Polícia, liderado por um falso promotor, revistou a casa de Trinidad Becerra, mulher do ex-assessor.

Fujimori supostamente também mandou invadir outro apartamento de Becerra, de onde foram retiradas várias malas e caixas.

Uma semana depois, o então chefe de Estado pegou um avião e foi para o Japão, de onde apresentou sua renúncia via fax. Há suspeitas de que ele levou consigo uma grande quantidade de material comprometedor.

Nakasaki afirmou, no entanto, que a intenção da operação foi 'a localização e captura' de Montesinos.

Os outros processos começarão dia 10 de dezembro, envolvendo dois casos de violação dos direitos humanos e quatro de corrupção.