Iraque: Relatório revela redução de ataques e avanço na reconstrução

Agência JB

WASHINGTON - Um relatório divulgado nesta terça-feira, dia 30, pelo escritório do Inspetor Especial Geral para a Reconstrução do Iraque, Stuart Bowen, revela que os esforços para reconstruir o país registraram um avanço e houve uma redução dos ataques de insurgentes.

O estudo, enviado hoje ao Congresso, denuncia que a iniciativa americana de reforçar a maior represa do Iraque, situada em Mossul, foi mal administrada.

A difusão do relatório coincide com o debate entre os democratas do Congresso americano para estudar se aprovam entre US$ 50 bilhões e US$ 70 bilhões para as guerras do Iraque e do Afeganistão, o que seria menos da metade do solicitado do presidente George W. Bush, de US$ 196 bilhões.

Bush acusou hoje o Congresso americano, de maioria democrata, de "tomar como refém" o financiamento das tropas americanas nas guerras.

O estudo indica, no entanto, que a "estendida corrupção e o pouco progresso realizado rumo à reconciliação entre as distintas facções religiosas e étnicas" continuam sendo desafios para o futuro do país.

A análise qualifica a corrupção como a "segunda insurgência" do país, que continua exercendo "uma força corrosiva sobre a jovem democracia iraquiana".

- A situação geral sobre a segurança no Iraque continua dificultando os esforços de recuperação e reconstrução - acrescenta.

No entanto, em relação aos ataques em si, ressalta que o número médio diário caiu no último trimestre aos "níveis mais baixos desde junho de 2006", enquanto a média de ataques contra civis iraquianos também diminuiu.

O relatório afirma que, de acordo com dados do Departamento de Estado, três civis americanos morreram entre julho e setembro deste ano, um número 78% inferior à média trimestral desde o início do conflito.

Em relação à represa de Mossul, o estudo aponta que o esforço americano de US$ 27 milhões para impedir que se rompa - o que preveniria inundações catastróficas - foi mal administrado.

O escritório denuncia "indícios de potenciais fraudes" para regular a operação e a suspensão de alguns contratos por "significativas preocupações com a qualidade" do trabalho contratados.

No entanto, o estudo não revela que empresas contratadas foram suspensas, embora ressalte que a represa está "em contínuo risco" de se romper, já que está construída sobre terras instáveis.

A análise sobre a reconstrução no Iraque também ressalta que a construção e expansão de centrais elétricas e uma diminuição dos ataques a infra-estruturas geradoras de energia levaram a um aumento da produção elétrica em setembro, a níveis recordes desde a invasão.

A produção média diária de eletricidade foi de 4.550 megawatts diários entre julho e setembro, enquanto a média depois da guerra era de 4.075 megawatts diários.

O aumento da demanda de eletricidade se deve à proliferação de televisões, aparelhos de ar-condicionado e máquinas de lavar, explica o estudo divulgado hoje.

A ajuda para a reconstrução do Iraque, proveniente de Estados Unidos e doadores internacionais, ficou em 30 de setembro de 2007 acima dos US$ 100 bilhões.

O escritório explica que 60% da ajuda americana já foram gastos, entre os quais se destacam os US$ 4,6 bilhões destinados à reconstrução da infra-estrutura elétrica do país.

A análise ressalta o investimento de US$ 1,7 bilhão no setor petrolífero iraquiano e US$ 2,1 bilhões no sistema de águas e esgoto do país.