Tribunal divulgará no dia 31 sentença de acusados de ataques em Madri

Agência EFE

MADRI - A Audiência Nacional anunciará na quarta-feira, em meio a grande expectativa e fortes medidas de segurança, a sentença dos acusados pelos atentados de 11 de março de 2004, que mataram 191 pessoas e feriu outras 1.841.

Até agora não foi divulgada qualquer informação sobre a sentença relativa ao atentado mais violento da história recente da Espanha.

O anúncio será feito em uma leitura pública na sala especial que a Audiência Nacional habilitou para que o julgamento fosse realizado entre fevereiro e julho deste ano.

O juiz Javier Gómez Bermúdez lerá uma versão reduzida da sentença - cerca de 20 páginas com a decisão e o relato dos fatos. Devem estar presentes ao ato os 28 acusados e seus advogados, assim como as vítimas e suas famílias.

No fim de semana, os 18 acusados que estão em prisão temporária deixaram as onze penitenciárias nas quais estavam detidos e foram levados para quatro prisões de Madri, de modo que possam comparecer à leitura, prevista para começar às 8h (horário de Brasília).

No total, a decisão tem mais de 600 páginas, divididas entre as 170 a 200 que descrevem os antecedentes do fato, as 70 a 80 dos fatos comprovados e as cerca de 200 que explicarão os fundamentos jurídicos que respaldam a sentença.

Outras 200 páginas serão destinadas aos 1.841 feridos nos atentados de 11 de março. Assim como os familiares dos mortos, estas vítimas serão homenageadas, mas não há outras informações sobre este ato.

Até agora, o juiz Bermúdez conseguiu controlar vazamentos sobre as deliberações da sentença e seu conteúdo.

Apesar disso, o fato de que a acusação contra os 28 suspeitos tenha se sustentado até o final do julgamento faz crer em uma resolução condenatória para a maioria.

Um dos acusados, o suposto idealizador dos atentados, Rabei Osman el-Sayed, 'O Egípcio', receberá a sentença por videoconferência, já que, depois do julgamento em Madri, ele voltou à Itália, onde cumpre pena pelo crime de pertencer à organização terrorista.

A decisão que será anunciada na quarta-feira deve responder a várias dúvidas surgidas durante os três anos de instrução sumária e nos quatro meses e meio de audiências sobre os ataques de 11 de março.

O texto tentará esclarecer questões sobre por que os terroristas escolheram Madri para ser palco dos atentados, a possibilidade de a organização terrorista basca ETA ter tido relação com o ato, o tipo de explosivos usado, a manipulação de evidências após os atentados e as possíveis falhas das forças de segurança.

De acordo com a Promotoria e com o juiz Juan del Olmo, que presidiu a instrução sumária, os acusados acessaram um site islâmico que encorajava os 'mujahedins' a agir contra a Espanha devido a sua participação na Guerra do Iraque.

A página na internet também aconselhava a aproveitar a proximidade das eleições, que seriam realizadas três dias depois, no dia 14 de março.

A participação da ETA nos atentados não é descartada pela imprensa e por setores conservadores, mas na instrução foi indicado que a possibilidade não tinha 'qualquer consistência'. O tribunal, no entanto, resolveu interrogar três membros do grupo.

Os integrantes interrogados foram o ex-dirigente Henri Parot e dos ativistas Gorka Vidal e Izkur Badillo, detidos dias antes dos atentados quando levavam para Madri uma caminhonete carregada de explosivos. Eles negaram qualquer relação com grupos radicais islâmicos.

O ex-diretor-geral da Polícia Agustín Díaz de Mera indicou que havia um suposto relatório apontando a implicação da ETA nos atos, mas sua recusa em revelar quem havia falado sobre o ataque levou o tribunal a acusá-lo de desacato.

Quanto às bombas, os oito peritos encarregados de elaborar o relatório final que indicaria a substância usada nos explosivos colocados na linha ferroviária de Madri concluíram que os terroristas utilizaram dinamite, mas não chegaram a um consenso sobre a marca comercial.

Alguns peritos indicaram que os artefatos continham dinamite do tipo titadine, empregada habitualmente pela ETA.

A coleta, transferência e análises das provas encontradas nos locais dos atentados levaram alguns advogados a questionarem a chamada 'cadeia de custódia', que garante a validade das evidências para a realização do julgamento oral.

Alguns sugeriram que houve adulteração de provas e afirmaram que não houve vigilância policial de elementos-chave na investigação, como de uma mochila-bomba que não chegou a explodir e dos artigos encontrados em um veículo usado pelos terroristas.

As declarações dos investigadores policiais durante o julgamento evidenciaram que não houve coordenação entre as forças de segurança, pois vários dos supostos autores dos atentados já tinham sido fichados antes dos ataques.