Gaza tem confrontos após corte de provisões israelense

Agência EFE

FAIXA DE GAZA - Operações militares realizadas hoje por Israel na Faixa de Gaza deixaram quatro mortos - três palestinos e um israelense - e vários feridos, um dia depois que o Estado judeu cortou parcialmente o fornecimento de energia elétrica e combustível à região.

Os palestinos mortos são dois militantes do braço armado do Hamas, as Brigadas de Ezedin al-Qassam, e um civil portador de necessidades especiais, disse Muawiya Hassanein, chefe do serviço de emergência do Ministério da Saúde da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Ele afirmou que outras onze pessoas ficaram feridas no norte de Gaza devido a um ataque aéreo israelense.

Segundo fontes do hospital de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, Ibrahim Abu Tahun, de 22 anos e militante das Brigadas de Ezedin al-Qassam, morreu hoje em choques com soldados israelenses no leste da cidade.

Em comunicado, o braço armado do movimento islâmico ressaltou que Tahun matou um soldado e feriu outro durante os intensos confrontos registrados próximo à passagem fronteiriça de Sufa, usada para a entrada de alimentos na Faixa de Gaza.

O Exército israelense informou em nota que um de seus soldados morreu em choques com milicianos palestinos e que dois militares ficaram feridos. Eles foram encaminhados a um hospital e estão recebendo atendimento médico.

Em Beit Hanoun, no norte da faixa, duas pessoas morreram: um miliciano do Hamas, cuja identidade não foi revelada, e um civil portador de necessidades especiais, Ahmed Abu Ouda, de 44 anos, segundo fontes do hospital Kamal Adwan.

Moradores de Beit Hanoun disseram que um grande número de tropas e forças especiais do Exército israelense deu início a uma operação militar na madrugada de hoje e que terminou no início da tarde, após intensos confrontos armados serem registrados na região.

Já no norte da Cisjordânia, um soldado israelense ficou ferido gravemente ao ser baleado por milicianos palestinos no campo de refugiados de Ein Beit-Ilma, próximo a Nablus.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) assumiu a autoria dos disparos que feriram o militar israelense.

Na operação militar israelense, três palestinos procurados pelos órgãos de segurança foram detidos e deverão ser entregues para futuros interrogatórios.

No domingo à noite, o Exército israelense também fez operações nos distritos de Ramala e Belém, na Cisjordânia, onde deteve vinte palestinos.

Os confrontos em Gaza e na Cisjordânia ocorrem depois que Israel começou, no domingo, a fazer cortes de fornecimento de energia elétrica e combustível à Faixa de Gaza.

A medida, aprovada recentemente pelo Governo israelense, fez com que muitas organizações humanitárias palestinas e israelenses entrassem com uma ação na Corte Suprema de Israel para que suspenda imediatamente o que consideram um "castigo coletivo" aos 1,5 milhão de palestinos que moram em Gaza.

A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, que visita a região, criticou hoje duramente as medidas adotadas por Israel.

Ela expressou seu descontentamento ao presidente israelense, Shimon Peres, durante uma reunião conjunta, informou a rádio pública israelense.

Israel resolveu cessar parcialmente o fluxo de energia elétrica e combustível a Gaza em represália ao lançamento de foguetes Qassam contra território israelense.

O ministro de Infra-estruturas israelense, Binyamin Ben-Eliezer, defendeu hoje a posição de Israel e disse que os cortes à Gaza buscam evitar uma operação militar de um porte maior e que teria conseqüências desastrosas à região.