ONU tenta levar mais grupos rebeldes a reunião sobre Darfur

REUTERS

SIRTE - O governo sudanês e representantes dos rebeldes em uma conferência de paz sobre Darfur vão se reunir reservadamente, na segunda-feira, para estabelecer a agenda, segundo mediadores. Ainda há esforços para atrair mais líderes rebeldes ao processo.

Declarando encerrada a primeira sessão da conferência, que durou dois dias, o enviado da ONU, Jan Eliasson, afirmou no domingo haver sinais promissores de que a reunião pode ajudar a acabar com quatro anos de meio de violência na devastada região do Oeste sudanês.

- Não podemos perder o impulso depois que começamos um diálogo sério e promissor - afirmou ele, incentivando os delegados a definirem a pauta e os temas mais urgentes do processo.

A conferência, disse Eliasson, 'deve terminar com o resultado que buscamos.'

- Esse processo inclusivo vai continuar e não será suspenso. A palavra 'suspender não é relevante aqui.

O governo e os rebeldes já envolvidos dizem que uma participação mais ampla é necessária para ampliar as chances de sucesso da conferência.

Muitos rebeldes não participam das reuniões preliminares porque pedem aos mediadores da ONU mais tempo para formarem uma frente unida e definirem uma delegação, e também porque segundo eles a violência por parte do governo prossegue.

- Nada será decidido, inclusive qualquer aval ao cessar-fogo, até que esta meta seja alcançada --mais participação dos movimentos - disse o delegado rebelde Alhadi Ababeldour à Reuters, referindo-se à trégua declarada no sábado por Cartum.

- O máximo que podemos obter desta reunião é dar mais tempo para a participação dos outros rebeldes - acrescentou.

A conferência, promovida pela ONU e pela União Africana, busca acabar com um conflito em que a maior parte da violência é cometida por milícias árabes apoiadas pelo governo, chamadas Janjaweed. Os EUA dizem se tratar de genocídio, o que o governo sudanês nega.

Recentemente, houve relatos de ataques dos rebeldes contra as forças de paz africanas. Especialistas dizem que vários grupos perderam sua estrutura de comando e se transformaram numa mera quadrilha.

O governo declarou uma trégua imediata na abertura da conferência, mas há dúvidas sobre sua eficácia, devido à ausência de importantes grupos rebeldes. Isso já ocorreu numa tentativa de cessar-fogo em 2004.

Nafie Ali Nafie, principal negociador do governo, defendeu que os rebeldes tenham mais tempo para participar. Mas ressalvou:

- A paz não deve ser vinculada àqueles que não querem participar. Os mediadores têm de deixar claro que os que não querem participar serão isolados.

A última tentativa de negociação, promovida pela União Africana em 2006 na Nigéria, resultou em um acordo de paz firmado por apenas uma facção rebelde, com pouco apoio entre os 2 milhões de refugiados de Darfur.